Dezembro / 2017
DSTQQSS
0102
03040506070809
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31
Não foi encontrado nenhum registro para o mês de Dezembro
IslamAhlul BaitImam Ali Ibn Abi Táleb (A.S.)

Nascimento: Nasceu na Preciosa Meca, no dia 13 de Rajab durante o ano de 600 d.C, isto é, trinta anos após o nascimento do Profeta Mohammad.

Seu pai: Foi Abed Manáf, mais conhecido por Abi Táleb; tendo sido o sheikh dos nobres e a segurança do Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) , o qual o criou após a morte de seu avô Abdel Muttâleb que dele cuidou até os oito anos de idade. Abu Táleb era irmão (da mesma mãe e mesmo pai) de Abdallah Ibn Abdel Muttâleb genitor do Profeta Mohammad (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) e que foi para o pequeno órfão, o melhor dos tutores e o seu mais perseverante protetor contra os idólatras que o perseguiam quando ele iniciou sua missão na divulgação do islam e da Mensagem de Deus.

Sua mãe: Foi Fátima Bent Assad Ibn Háchem, a qual foi uma das primeiras a crer no Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou ). Era tida como uma mulher excepcionalmente sábia pela sua índole e carinho para com o Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou ), pois cuidara dele com especial desvelo e o privilegiava aos próprios filhos, defendendo-o contra as injustiças beneficiando-o. O profeta Mohammad (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) dizia: "Ela é minha mãe depois de minha mãe". Quando ela morreu o Profeta (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou ) chorou muito envolvendo-a com a própria camisa ao ser enterrada e rezando por sua alma pronunciando a Tacbira (Allahu Akbar) por setenta vezes.

A Grande Honra pelo Abençoado Nascimento

Quando Fátima Bent Assad sentiu as primeiras contrações por estar grávida de Ali, dirigiu-se a Caaba e começou a orar a Deus Supremo em oração fervorosa para que Ele lhe facilitasse a concepção de seu filho, orando: __ Ó Senhor! Eu creio em Vós e em tudo que de Vós veio em Profetas e Livros, bem como, creio nas palavras de meu avô Abraão, como creio que ele foi o construtor da "Casa Velha" (nome dado a Caaba antes do Islam). E pelo direitos de quem construiu esta Casa e daquele que ainda se encontra em meu ventre, peço humildemente facilitar a minha concepção!

Nem acabara sua oração, as paredes da Caaba se abriram e ela se adentrou nela, para depois, as mesmas paredes, voltassem ao seu estado normal. As pessoas tentaram abrir o cadeado da Porta do Templo de Deus, mas foi em vão. Por fim todos entenderam que era pela vontade de Deus Supremo que o nascituro viesse a luz na Casa mais pura e sagrada do mundo.

Fátima Bent Assad permaneceu dentro da Caaba por três dias, comendo dos frutos do paraíso; e no quarto dia, ela saiu dali carregando seu filho nos braços.

O Imam Ali Ibn Abi Táleb (A paz esteja com ele ) foi o primeiro e o único que nasceu na Caaba e jamais alguém após ele mereceu tanta magnificência de Deus Glorificado e Sublime, pela sua grandiosidade e elevada posição junto Dele, foi também o primeiro a receber o nome Ali.

Seu Amparo e Desenvolvimento

O Imám Ali (A paz esteja com ele) teve o amparo e a educação do Mensageiro de Deus o qual, apesar de já ter sido casado com Khadija Bent Khualeid, ele freqüentava com assiduidade a casa do tio Abi Táleb, onde preenchia Ali, seu priminho, com especial atenção e carinho, mimando-o quando ele acordava e o carregava com ternura e afago ou balançava-lhe seu bercinho a fim de faze-lo dormir, como se Ali fosse o seu próprio filho amado.

Quando o Imam Ali (A paz esteja com ele) atingiu a idade de seis anos, Coraich estava em séria crise econômica e Abi Táleb, já possuía muitos filhos, e então, o Mensageiro de Deus, para amenizar a situação de seu tio, propôs-lhe a guarda e a educação do pequeno Ali levando-o para sua casa onde o garoto cresceu e se desenvolveu.

O Imam Ali (A paz esteja com ele) sempre trazia a lembrança dizendo:

"Vós sabeis do meu conceito através do Mensageiro de Deus, o qual o abençoou e a gente de sua casa, pelo estreito parentesco e a posição especial, e que me carregava no colo, quando eu era menino e abraçava e acarinhava paternalmente e fazia-me dormir em seu leito. Quantas vezes ele mastigou a comida e me alimentava. Jamais o decepcionei com mentiras e tampouco em erros no trabalho. Eu o seguia tal qual como o faz a cria que segue o rastro de sua mãe. A cada dia, ele me elevava com seu caráter e conhecimento, exigindo de mim que os cumprisse a risca. Inicialmente, eu era o único que o via se dirigir todo ano para Herá e, na ocasião, não havia um lar que tivesse abraçando o Islam, exceto o Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou), Khadija e eu, que via a luz da Al-Uahí (Revelação) e ouvia a mensagem divina, sentindo o aroma do profetismo".

Sua Esposa

Por ordem de Deus, o Profeta Mohammad (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) o uniu em matrimônio a Fátima "Azzahrá" Senhora de todas as mulheres; e Deus Glorificado e Sublime assim determinou, para que a descendência do Mensageiro de Deus seja por intermédio de ambos; e por seu lado o Profeta Mohammad (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) falava:

"Deus fez a prole de cada Profeta de sua própria descendência e fez da minha prole pela descendência deste"__ aludindo ao seu primo e genro Ali Ibn Abi Táleb ( A paz esteja com ele).

Em outra ocasião, o Profeta (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) disse: __ "Todo filho se vincula ao seu pai exceto o filho de Fátima, porque eu sou o seu progenitor e seu vínculo".

Seus filhos

Ali Ibn Abi Táleb e sua esposa, Fátima Bent Mohammad "Azzahrá", tiveram quatro filhos: os dois Imámes Al-Hassan e Al-Hussein e duas meninas, Zeinab e Omm Colçum (A paz esteja com todos eles). Entretanto, após a morte de Fátima, o Imám Ali casou-se com várias esposas e delas teve aproximadamente vinte e três filhos.

Alguns de seus beneméritos

1. Deus o favoreceu com a grandiosa dignidade desde seu nascimento, pois ele nasceu no Templo Sagrado de Deus, no âmago da Caaba; e com esta honra ninguém o antecedeu e nem ocorreu tal fato a alguém depois dele.

2. Cresceu e se desenvolveu no seio do lar do Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) o qual muito se importou e se empenhou por ele, Ali (A paz esteja com ele).

3. Jamais se inclinou ou se ajoelhou diante de algum ídolo e não adorou outra divindade além de Deus Único.

4. Foi o primeiro a abraçar o islam, como foi o mais antigo em sua fervorosa fé.

5. Quando Deus Supremo ordenou o Seu Profeta de advertir os que lhe eram mais próximos para segui-lo em sua missão, o Profeta reuniu a todos e os admoestou sobre Deus dizendo: __ "Aquele de vós que me seguir nessa incumbência será considerado meu irmão, o meu recomendado, meu ministro, o meu herdeiro e sucessor". Entretanto, todos silenciaram exceto o Imam Ali (A paz esteja com ele) que aliás, era na ocasião o mais novo dentre todos, que se levantou exclamando: __ Eu vos seguirei nesta incumbência ó Mensageiro de Deus! O Profeta Mohammad (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) olhou para o primo e disse-lhe: __ "Sente-se, pois és meu irmão, o meu recomendado, o meu ministro, o meu herdeiro e sucessor depois que eu for."

6. Resgatou o Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) com a própria vida ao permanecer em seu leito, quando Deus ordenou ao Seu nobre Profeta para emigrar a cidade de Medina, seguindo-o depois de ter concluído a devolução dos valores aos seus próprios donos.

7. Quando o Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) confraternizou os muçulmanos entre os emigrantes e os aliados (Al-Ansari) na cidade de Medina, tomou Ali como seu fraterno dizendo-lhe: __ És meu irmão nesta vida e na eternidade.

8. A história testemunha sobre a sua bravura e coragem tão ímpar e tão zelosa defesa do islam e seu nobre Profeta. Não havia uma batalha em que o Imam (A paz esteja com ele) li não tivesse participação fortemente ativa tanto é, muitos chegavam a ouvir uma voz vinda dos céus proclamando: __ Não há jovem como Ali e não a espada como a Zul Faqar ( apelido da espada do Imam Ali)!

9. Ninguém obteve no islam o que o Imam Ali (A paz esteja com ele) obteve em louvor e majestade diante de Deus Supremo. Até o A Alcorão Sagrado o menciona em aproximadamente trezentos versículos tal qual citou Ibn Abbás, sendo também apontado nos Hadis do Profeta Mohammad. O próprio Profeta Mohammad o reunia ora com a justiça ora com o Alcorão Sagrado fazendo com que o amor por Ali seja símbolo da fé e o desprezo por ele em conceito de hipocrisia. O Mensageiro de Deus fez do Imam Ali ( a porta da metrópole da sabedoria. Ninguém era tão reconhecido como o foi o Imam Ali em relação ao Mensageiro de Deus dizendo sempre: "Me questionei antes de me perderem, pois o Mensageiro de Deus me abriu mil portas de sabedoria e cada uma se me abriu em outras mil".

Eis que citaremos a seguir alguns Hadis do Mensageiro de Deus.

- Ali está com a justiça e a justiça está com Ali, e ambos não se separaram até o Dia do Juízo Final.

- Ali é a porta do meu conhecimento, revelador a minha nação, o que propaguei em missões depois que me for. O amor por ele é símbolo de fé e o desprezo por ele é símbolo de hipocrisia.

- Ali complementou minha nação.

- Para cada Profeta há um recomendado e um herdeiro e Ali é o meu recomendado e herdeiro.

- Se os Céus e a Terra estiverem numa escala e a fé de Ali em outra, prevalecer-se-á a fé de Ali.

10. O Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e à sua Linhagem e os saudou) o privilegiou com o título de "Amir Al- Mu'Minin" (Príncipe dos Crentes), e o nomeou seu sucessor no dia de "Al- Ghadir". Em sua homenagem desceu a revelação do versículo 3 da Surata 5 (Surata Al Meada) "Hoje completei para vós; tenho-vos agraciado generosamente, e aponto o Islam por religião; bem como Deus Supremo infligiu o sofrimento sobre aquele que negar a sucessão de Ali e sua glória e omitir o testemunho sobre essa sucessão. O acontecimento foi registrado nos livros de história, em que, após a nomeação de Ali Ibn Abi Táleb pelo Mensageiro de Deus para "Califa", isto é, sucessor Imam e Governante dos muçulmanos, o Profeta Mohammad ordenou que cada um dos presentes notifique os ausentes. Certo homem chamado Al-Hareth Ibn Naaman, não ficando satisfeito com esta decisão, foi ter com o Mensageiro de Deus na Mesquita e disse-lhe: "Ó Mohammad (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou), tu nos ordenastes de que não há divindade além de Deus e que és o seu Mensageiro e nos aceitamos; nos ordenastes rezarmos cinco orações todos os dias e jejuarmos no mês de Ramadan e peregrinar a Caaba e pagarmos o Zacat e concordamos com tudo isto, porém, como se não bastasse, agora vens impor-nos o vosso primo como sucessor, preferindo-o a todos os demais dizendo-nos: __ Aquele que eu sou seu soberano Ali o será também! Afinal, isto vem de vós ou vem de Deus?
O Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) olhou-o firme e, com os olhos vermelhos pela indignação lhe respondeu: " Por Deus! Que não há divindade além Dele, que isto é de Deus e não de mim!" repetindo a frase por três vezes.

Al-Hareth se levantou dizendo: __ Por Deus! Se o que Mohammad falou é verdadeiro, que caia sobre mim pedras do céu ou que se apodere de mim o pior dos sofrimentos! Saindo dali em seguida.

Logo depois, o Mensageiro de Deus contou "... eu vos juro que ele nem chegou a alcançar a sua camela, caiu-lhe do céus uma pesada pedra, atingindo-o em cheio na cabeça, matando-o imediatamente".

Posteriormente, desceu uma revelação que diz: "Alguém inquiriu sobre um castigo iminente/ indefensável para os incrédulos" __ Surata Al-Maarej __ Surata 70 versículo 1 e 2.

Muitos dos teólogos mencionaram o acontecimento e quem quiser ampliar seus conhecimentos, eis que citaremos abaixo algumas fontes:

"Chauáhed Al-Tanzil" do Al-Mascati, Cap. 2, pág. 286;
"Tafsír Al-Thaalaby" na Surata "Sa-alá sá-elon ben-azáben uáqueen...", referentes aos dois versículos acima;
"Tafsír Al-Qartaby" __ Cap. 18. Pág.278;
"Tafsír Al-Manár" de Rachid Reda __ Cap. 6, pág.464;
"Yanábi Al-Mauadda" de Al-Qunduzi Al-Hanifi, pág. 328;
"Al-Háquem no que se referiu sobre os As-Çahihín (Os Infalíveis) Cap.2 pág.502.
A outra questão que os livros mencionam, é sobre a omissão do testemunho ocorrido no Al-Ghadir, foi quando o Imam Ali estava na Mesquita de Al-Cufá, durante o seu califado, ele convocou o povo e falou-lhe do púlpito:

Deus conjurou todo muçulmano que ouviu o Mensageiro de Deus no dia de Al-Ghadir Khom dizer: "Aquele que lhe sou soberano, Ali o será também", uns se levantaram e confirmaram o que ouviram e outros que ouviram e viram, não se levantaram. Os que se levantaram foram trinta, dos quais dezesseis participaram da Batalha de Badr e divulgaram que o Profeta, tomou Ali pela mão e indagou aos presentes: __ Sabeis que sou benemérito pelos crentes mais do que eles sobre si mesmo? E todos responderam-lhe afirmativamente.

Então o Profeta Mohammad prosseguiu: __ Aquele que lhe sou soberano, este o será. Deus aprovará quem o aprovar e amaldiçoará aquele que se inimizar com ele...

Entretanto, a inveja e a aversão contra o Imam se apossaram de alguns dos presentes, os quais presenciaram outrora a reunião de Al-Ghadir Khom e posteriormente omitiram o testemunho sobre a sucessão; dentre eles se encontrava Anas Ibn Málek. O Imam Ali (A paz esteja com ele), desceu do púlpito e dirigiu-se à Anas questionando-o diante da multidão:

- Por que, ó Anas, não te levantaste com os Sahábas (Companheiros) do Mensageiro de Deus e confirmaste o que ele afirmara na ocasião, como o fizeram os demais?

Encabulado, Anas falou:

- Ó Príncipe dos Crentes, eu estou com a idade muito avançada e já me esqueci deste fato.

O Imam Ali (A paz esteja com ele) o olhou de frente e disse-lhe:

- Se estiveres mentindo, Deus te punirá com a lepra e o teu turbante não bastará para esconder o teu mal.

Nem acabou de sair na Mesquita e a terrível doença começou a se manifestar sobre o homem, que lamentava em gemidos:

- Deus ouviu a imprecação do servo fiel, porque menti e omiti o testemunho da sua sucessão!

Este notável acontecimentos foi mencionado por Ibn Qotaiba, em seu livro intitulado "Al-Maáref", como também o mencionou o Imam Ahmad Ibn Hanbal em seu preceito, no capítulo 1, página 119, de que a demanda do Imam (A paz esteja com ele) atingiu três pessoas por terem omitido a confirmação à sua sucessão e que foram: Anas Ibn Malek, Al-Barrá Ibn Ázeb e Juair Ibn Abdullah Al-Bajali. Este fato, que os livros históricos mencionam, sucedeu vinte e cinco anos após o acordo de Al-Ghadir para que o Imam Ali (A paz esteja com ele) reivindicasse diante do povo o seu direito a sucessão e a importância de sua personalidade depois do Profeta Mohammad para que, tanto, no presente como no futuro saibam da veracidade dos fatos.

11. Deus o privilegiou para que a descendência do Mensageiro de Deus seja por intermédio através de sua união com Fátima "Azzahra", filha do Profeta Mohammad.
O Profeta Mohammad disse certa vez: "Toda semente de um Profeta, Deus a conservou em sua descendência, e a minha, a transformou da firmeza deste homem" aludindo ao seu primo e posteriormente genro, Ali Ibn Abi Táleb (A paz esteja com ele).

12. O Mensageiro de Deus o incumbiu de sua lavagem e apresto após a sua morte, dizendo-lhe: __ Ó Ali, serás tu quem se incumbirá da minha preparação depois do meu fim; e quando o Profeta faleceu, o Imam se empenhou de lavá-lo pessoalmente e prepará-lo para sua viagem derradeira e após a oração pela alma do Profeta e Mensageiro de Deus, Ali o sepultou no mesmo local onde morreu.
Além do que mencionamos, competem-se vários outros obséquios ao Imam Ali Ibn Abi Táleb (A paz esteja com ele) e elevadas distinções infindáveis, apesar dos malefícios praticados contra ele por seus opositores e inimigos, que se empenhavam em extingui-las e sufocá-las.

O Imam Ali após a morte do Mensageiro de Deus

Foi-se o Profeta Mohammad deixando atrás de si as suas recomendações declaradamente alusivas a sua sucessão do Imam Ali (A paz esteja com ele).

Entretanto, ocorreram situações contraditórias ao Imam e outros homens se apossaram da sucessão do Mensageiro. Mas, o Imam não quis reivindicar os seus direitos na ocasião, para que não houvesse cisão entre os muçulmanos, a fim de preservar a sua união. Com isto, os Sahábas reconheceram a sua benevolência tão beneplácita e, em consideração ao seu parentesco com o Mensageiro de Deus e a importância de sua sabedoria em solucionar a sucessão pacificamente, passaram a procurá-lo para que se possa resolverem todas as questões jurídicas, sociais e religiosas, sendo apoiado para tal pelo primeiro Califa Abu Bakr, que dizia, conforme se nos relata a história: __ Para qualquer problema que me era imposto por Deus, não teria a sua solução sem Abu Al-Hassan! Aludindo ao Imam Ali (A paz esteja com ele). Segundo Califa Omar Ibn Al-Khattáb também chegou a falar diante de mais de setenta questões jurídicas e ocorrências sócio- econômicas: Não fosse Ali, Omar teria sucumbido!

Assim, o Imam Ali (A paz esteja com ele) permaneceu à disposição das diretrizes, nas pregações, mantendo a harmonia entre o povo e a nação islâmica, por longos vinte e cinco anos, isto é, até o assassinato do terceiro Califa Othman Ibn Affan, quando a multidão se reuniu para ajustar com ele a recusa à sucessão; mas o Imam Ali, desta vez, estava decidido em tomar posse de seus direitos no Califado e, na condição de concordarem que ele seguisse a risca a conduta do Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou), cumprindo com os direitos humanos dos fiéis e estendendo a justiça e a igualdade entre as pessoas, pois na ocasião, o povo convivia com o preconceito e diferenças das camadas sociais, o que em tudo isto contrário ao que o Mensageiro retratava e propagava.

A Política do Imam Ali na Sucessão

Foi no ano 35 da Hijra que o Imam Ali (A paz esteja com ele) tomou posse do Califado, centralizando- a na cidade de Al-Cufá, no Iraque, como a sua capital.

Seu primeiro empenho foi a supressão do desvio moral, que se apossou da nação islâmica no plano ambicioso, prático e político, restabelecendo os projetos econômicos, como tinham sido no tempo do Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) implantando a igualdade no trato, sempre dizendo: "O pecúlio é de Deus que será dividido por igual entre vós. Não há prioridade de alguém sobre o outro". Demitiu sem exceção todos os corruptos que exerciam cargos públicos e que incompatibilizavam-se com as responsabilidades do cargo, por não procederem com a lealdade e justiça de acordo com os dogmas religiosos.

O Imam Ali (A paz esteja com ele) impôs a justiça e puniu severamente o suborno no Governo e a fraudulência nos preceitos de Deus, dizendo: "Por Deus! Que serei justo para com o oprimido e julgarei com justiça o seu opressor pela sua insensibilidade, obrigando-o a cumprir pena, mesmo que desagrade a quem quer que seja!"

Assim foi a política do Imam Ali (A paz esteja com ele), que naturalmente, não agradava a todos, principalmente aos gananciosos e baderneiros; sobretudo aos fracos espiritualmente, que não se compatibilizavam com a religião islâmica, os quais tentavam confundir os problemas e dispersar as suas resoluções e soluções instigando contra ele pessoas como Moáuiya filho de Abu Sufián, instituído como Governante do Chám ( hoje toda a região da Síria, Palestina e Líbano) pelo segundo Califa Omar Ibn Al-Khattab, apoiado posteriormente pelo terceiro Califa Othman Ibn Affán, o qual lhe expandiu as fronteiras.

Moáuiya Ibn Abu Sufián perseguia os muçulmanos, incutindo em seus corações o medo e o terror, matando os inocentes, tomando-lhes pela força as mulheres que se lhe agradavam e se apropriado de seus bens e jóias.

A morte do Imam Ali Ibn Abi Táleb

No dia 21 do mês de Ramadan do ano 40 da Hijra, o Imam Ali (A paz esteja com ele) foi covardemente assassinado com uma espada envenenada pelo vil fanático criminoso Abdel Rahman Ibn Môljam, enquanto ele rezava na Mesquita a Oração do Fajr (Alvorada), morrendo dois dias depois, como mártir pela causa de Deus Onipotente. Seus dois filhos, Al-Hassan e Al-Hussein (A paz esteja com ambos) se incumbiram na preparação de seu funeral e sepultamento na cidade de Al-Nadjaf, ao sul da cidade de Al-Cufá no Iraque, a pedido dele, onde o seu túmulo se encontra naquela cidade até os nossos dias, sendo visitado periodicamente pelos muçulmanos vindo de todas as partes do mundo.

1. Seu Eterno Legado

A existência do Imam Ali (A paz esteja com ele) na Terra foi uma grandiosa escola da vida, absorvida pelo conhecimento, direito, justiça e igualdade entre os homens de bem. Foi o defensor dos oprimidos privados da sorte, os quais sempre podiam contar com a sua eqüitatividade e imparcialidade, dando-lhes a vitória merecida protegendo-os contra os opressores e malfeitores. O Imam Ali (A paz esteja com ele) adorava a Deus com extrema devoção e fervor como o fazia o Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou).

O Imam Ali Ibn Abi Táleb(A paz esteja com ele) deixou-nos um grandioso legado para ser o exemplo dos procedentes e luz aos adeptos a fim de se dirigirem pelo caminho da orientação, realização e justiça durante a vida terrena.

Depois da sua morte, foram reunidos alguns dos discursos deste magnífico Imam (A paz esteja com ele). Suas pregações e eloqüente sabedoria, baseadas em todos os sentidos da vida, foram mencionadas no livro intitulado "Nahj el Balágha" isto é, "O Sistema da Eloqüência", agrupado e organizado pelo importante e grandioso sábio Al-Sharif Al-Radi, o qual viveu no século quatro da Hijra (século onze do calendário gregoriano), sendo também considerado um dos eruditos dos preceitos dos que descenderam da "gente da casa", considerada a Linhagem do Profeta.

2. Coletânea do Alcorão

A mais importante de suas realizações, foi o empenho do Imam Ali (A paz esteja com ele) em reunir as páginas do Alcorão Sagrado após a morte do Mensageiro de Deus(Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou); e sua coletânea era organizada de acordo com as revelações dos versículos que o Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) recebia, anexando à este Alcorão a interpretação de seus versículos, seus significados e os motivos de suas revelações.

3. O Livro de Fátima

É um livro escrito pelo Imam Ali e dedicado à Fátima "Azzahra"(A paz esteja com eles) , constituída de importantes discursos e provérbios diversificados, bem como, a informação da passagem e expressão das notícias futurísticas. Este livro foi escrito e complementado após o falecimento do Profeta Mohammad ( Deus o abençoou a sua Linhagem e os saudou), para que Fátima "Azzahrá" possa distrair-se com sua leitura, a fim de amenizar a sua dor pela morte de seu pai e desde então, este livro passou a ser conhecido como "o livro de Fátima".

4. Al-Çahifa (O pergaminho)

É o livro jurídico, onde constam as finanças expostas diante de crimes de corpos de delito (na perda de algum órgão humano ou ferimentos) ou de crimes contra os preceitos morais, e em ambos os casos, seja desproposital e incabível, ou intencional e deliberadamente. Sobre este assunto, escreveram-se muitos livros, abordando tais questões, os quais se tornaram famosos entre os muçulmanos.

5. Al-Jáme'a (Jornada ou Coletânea do Livro Sagrado)

É um livro ditado pelo Mensageiro de Deus para o seu genro, o Imam Ali( A paz esteja com ele) onde reúne as informações sobre as necessidades lícitas do ser humano, bem como, o que lhe é ilícito ( é o conhecimento da teologia, filosofia, medicina, direitos, literatura e até engenharia), detalhando de conformidade com o Alcorão Sagrado no que alude as regras ( estruturas que constituem uma sociedade) e advertências.

É mister ressaltarmos que os Imámes purificados(A paz esteja com eles) apoiaram o raciocínio neste livro, pois seus princípios eram adquiridos através dos ditames divinos constantes nele.

6. Çahífat Al Fará-ed (O pergaminho dos tributos)

O Imam Ali ( A paz esteja com ele) registrou na Çahífat Al-Fará-ed os pórticos dos julgamentos, principalmente no que alude ao patrimônio e sua partilha que o falecido deixa atrás de si incluindo as suas riquezas.

7. Al-Jafr ( A Chave do Conhecimento Profundo)

A denominação "Al-Jafr" foi composta a um dos portões do conhecimento que o Imam Ali (A paz esteja com ele) adquiriu das profusões do Mensageiro de Deus (Deus o abençoou e a sua Linhagem e os saudou) e que o registrou em pergaminhos de pele de ovinos ou caprinos; e tal conhecimento refere-se aos acontecimentos futuros e a tudo que os Profetas anteriores ao Profeta Mohammad (Deus o abençoou a sua Linhagem e os saudou) predisseram por inspiração divina; e os Imámes purificados (Que a paz esteja com eles) tomaram como herança preciosa este livro intitulado de "Al-Jafr"

8. Outras obras do Imam Ali

O Imam Ali (A paz esteja com ele)registrou diversas obras mencionadas pelos historiadores, tais como os livros intitulados por "Os conhecimentos do Alcorão", " As bênçãos dos Donativos", "As Portas das Jurisprudências" e outros.

Pensamentos do Imam Ali

"Não há obediência à quem desobedece o Criador."

"Quem arbitrariou sua opinião, sucumbiu; e quem consultou os homens, associou-se a seus juízos.
Se cultivares o mal no coração dos outros, eles o arrancarão do teu peito."

"Ó filho de Adão! Aquilo que ganhas acima do teu esforço, estarás armazenando-o para os outros."

"Gente! Creiam em Deus, o Qual se falardes Ele vos escutará e se dissimulardes, Ele o saberá; e atentei-vos á morte, pois se fugirdes dela, ela vos alcançará, e se resistirdes a ela, ela vos ceifará e se a esquecerdes, ela lembrará de vós."

"Perguntaram-lhe sobre a fé e ele lhes respondeu: A fé é o conhecimento no coração, a confissão pela boca é a realização dos pilares."

"O dia do oprimido é o mais violento para o opressor, do que o dia do opressor o é para o oprimido."

"A paciência se define em duas formas: a paciência sobre aquilo que detestas e a paciência aquilo que desejas."

"O socorro ao infeliz, pelas abjurações das culpas capitais, é o mesmo que o alívio é para o sofredor."

"Se veio até as vossas mãos parte dos donativos, não a repudieis pela escassez, com a ingratidão".

Links Relacionados
Palavras Iluminadas

“Deixo convosco duas preciosidades, o livro de Deus e os meus Ahlul Bait.” Profeta Mohammad (S.A.A.S.)


ARBIB - Associação Religiosa Beneficente Islâmica do Brasil - Departamento de Comunicação
Todos os direitos reservados à ARBIB - A reprodução é permitida, desde que citada a fonte