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Introdução aos Princípios da Medicina Islâmica.
O sentido de unidade que é a essência do Islam e o fundamento de todos seus princípios e leis, é também a linha mestra do pensamento islâmico na aplicação do conhecimento na compreensão da realidade.

Por: Ahmed Ismail 

O sentido de unidade que é a essência do Islam e o fundamento de todos seus princípios e leis, é também a linha mestra do pensamento islâmico na aplicação do conhecimento e na compreensão da realidade objetiva da natureza.

Desta compreensão da unidade que rege e estabelece a natureza das coisas, todas as ciências se desenvolveram no mundo islâmico. Este sentido de unidade está presente tanto na matemática, na química e na física como na filosofia e na medicina islâmica.

No campo terapêutico o mesmo princípio holístico das outras terapias e medicinas orientais está presente no Islam.

Os sábios dedicados a essa área do conhecimento definiram o estado de sanidade, o estado doentio e a cura como estados integrais, ou seja, entendem a saúde como um estado de sanidade presente no todo, no conjunto do ser, (o mesmo se aplicando ao estado doentio), buscando, portanto, a cura num nível integral.

Esta visão foi subestimada na chamada medicina tradicional do ocidente, a qual no decorrer dos séculos distanciou-se de suas raízes adotando uma visão puramente materialista, muito embora nas últimas décadas alguns setores tenham iniciado uma revisão conceitual que se reaproxima dos princípios holísticos.

A medicina islâmica por sua vez, se desenvolveu com base em certos aspectos mencionados em diversos versículos do Alcorão e em tradições proféticas. No caso específico da escola xiita, adicionou-se a isso os ensinamentos dos Imames (A.S.) recolhidos em diversos livros e relatos de seus alunos.

Um outro importante fator enriquecedor desta tradição foi o estreito contato dos sábios islâmicos com o legado grego. Podemos dizer que o patrimônio da ciência médica de Galeno e Hipócrates foi perpetuado e desenvolvido pelos eruditos islâmicos. A obra de Ar Razi e de Ibn Sina manteve-se como referencial por séculos no Ocidente. Diversos conhecimentos de anatomia, terapêutica e farmacologia foram alcançados e praticados pelos médicos islâmicos séculos antes da medicina ocidental. Um exemplo clássico é o emprego de Anestesia, comum entre os médicos islâmicos no séc. VIII, que só foi introduzida no ocidente a partir da segunda metade do séc. XIX. A própria concepção do Espaço Hospitalar é um legado da civilização islâmica.

Conceitos Básicos

Os conceitos básicos da medicina islâmica podem ser apresentados de forma resumida da seguinte maneira:

1. O ser humano em sua natureza original (Fitrat) era livre da doença e do envelhecimento. Ao perder sua pureza original o gênero humano, saindo do paraíso perdeu igualmente sua incorruptibilidade, ficando a mercê dos estados de sofrimento, envelhecimento, doença e morte.

2. Tanto maior o seu afastamento de sua natureza original maior será a tendência à manifestação dos estados doentios.

3. As doenças se dividem em categorias no que diz respeito as suas origens:

* As doenças de origem natural. São os males inerentes a natureza das coisas e dos seres, como por exemplo, os males causados pelo frio excessivo, pelo veneno de animais peçonhentos ou mesmo por conseqüência da própria debilidade do organismo (congênita ou como sintoma do envelhecimento).
* As doenças originadas pelos excessos ou pelos maus hábitos que ferem a constituição natural do organismo.
* As doenças provocadas por um efetivo desequilíbrio de qualquer um dos três centros do ser (sensorial, coração ou mente) por meio de sentimentos destrutivos, atitudes mentais mórbidas e hostis (ex. ódio, ira, inveja, frustrações, rancores, etc).
* Expiatórias. São as doenças provocadas por uma constante desobediência às Leis divinas. De modo geral, se manifestam de modo coletivo e se propagam por gerações. Tanto mais o gênero humano como um todo se afasta da orientação divina e do respeito às leis naturais, mais intensas e terríveis doenças expiatórias surgem.
* As doenças que se originam dos desequilíbrios naturais provocados pelo homem no meio ambiente bem como de sua exposição a condições artificiais e substâncias tóxicas.
* As doenças de origens múltiplas, que são aquelas que se originam de duas ou mais categorias anteriores combinadas entre si.

4. Sendo as doenças de origens de várias categorias, as medidas terapêuticas também se dividem em várias modalidades e níveis de ação. O princípio básico do tratamento parte da compreensão do todo para o restabelecimento do desequilíbrio (doença) manifestado em alguma parte. As principais modalidades terapêuticas são:

* A terapia natural, que utiliza os recursos e potencialidades curativas dos elementos da natureza (plantas, alimentos, água, pedras, odores).
* A terapia de recursos práticos que utiliza técnicas efetivas de tratamento (compressas, purgações, banhos de assento, etc...)
* A terapia “rukya” que se baseia na utilização de invocações sagradas, dua’as (súplicas) e recitações.
* A terapia combinada, que mescla duas ou mais modalidades de tratamento, que é a mais utilizada.

5. A medicina islâmica, a partir da própria visão holística, ainda que disponha de plenos recursos terapêuticos enfatiza mais a prevenção ensinando as pessoas a prezar a saúde como uma benção.

A saúde é entendida não como a ausência de doença (pois a ausência de sintomas visíveis não assegura o estado são) mas como um estado harmônico dos 3 centros de energia que compõem o ser humano (o sensorial, o coração (o íntimo que se liga a alma) e a mente. Portanto, o estado de sanidade requer equilíbrio nestes 3 níveis.

A profilaxia envolve muitas das medidas hoje consagradas pela medicina alopática, algumas delas são:

- A adoção dos hábitos de higiene pessoal recomendados pela Sunna Profética.
- A observação de uma alimentação balanceada.
- A abstenção de todo alimento impuro (observância das regras da Shariah quanto ao Halal e o Haram).
- O evitar os excessos alimentares bem como o excessivo consumo de carne e de alimentos industrializados.
- O evitar hábitos lesivos á saúde como o tabagismo, a vida sedentária, o excesso de trabalho e a ociosidade.
- Cultivar sentimentos positivos e afastar do íntimo os sentimentos destrutivos do egoísmo, da ira, da inveja, das frustrações e da avareza.
- Substituir as más inclinações pela caridade, pela boa vontade para com o próximo.
- Refrear as paixões desmedidas desenvolvendo auto-controle.
- Praticar o Sallah com correção e assiduidade.
- Praticar o Dua’a constantemente.
- Praticar o Jejum de Ramadan e se possível algum jejum voluntário no resto do ano.
- Manter alguma atividade física de acordo com sua idade.
- Dividir racionalmente seu tempo em cinco atividades básicas: O trabalho, o îbad, o estudo (atividade mental), o convívio com a família e os amigos e o lazer lícito.
- Estabelecer relações respeitosas e carinhosas com a família, para que o lar seja um ambiente de paz e fonte de contentamento.

Além dessas medidas profiláticas, a Medicina Islâmica ainda que não descarte completamente a terapêutica ocidental alopática (sendo esta até mesmo recomendada em casos extremos) não deixa porém, de salientar que a exposição do organismo à drogas industrializadas e anti-naturais é um fator de alto risco à saúde. O hábito de recorrer a medicamentos químicos por qualquer razão (uma simples dor de cabeça, por exemplo) é antes uma agressão ao organismo do que um fator de cura.

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Palavras Iluminadas

“São aqueles que, quando os estabelecemos na terra, observam a oração, pagam o Zakat, recomendam o bem e proíbem o ilícito. E em Deus repousa o destino de todos os assuntos.” (Surata al-Haj, C. 22 – Versículo 41)


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