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A Estipulação do Califado
Nesta obra, o autor, de uma forma objetiva explica os motivos que o levaram a investigar sobre as duas principais tendências do Islam (Sunita e Xiita).

Por: Mohammad At Tyiani As Samawi

O presente ensaio foi extraído do livro “E então fui guiado” do tunisiano Mohammad At Tyiani As Samawi. Nesta obra, o autor, de uma forma objetiva explica os motivos que o levaram a investigar sobre as duas principais tendências do Islam (Sunita e Xiita). Depois de uma árdua pesquisa de 3 anos, ele expôs os resultados de sua busca.

1) A estipulação do Califado

Eu havia jurado a mim mesmo, ao empreender esta investigação, que não me basearia senão no que fosse afirmado por ambas as partes e que descartaria o que fosse exclusivo de uma ou de outra escola. É por isso que investiguei a questão sobre Abu Bakr e Ali Ibn Abu Talib, e se o califado estava estipulado para Ali, como alega a Escola Xiita, ou se devia ser concedido através do sistema de eleição e shurâ (consulta) como alegam os sunitas. Se aquele que investiga este tema se consagra à verdade, certamente encontrará a designação de Ali Ibn Abu Talib (A.S.) tão clara e nítida, como no dito do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.):

“A quem eu seja seu soberano, este é Ali, seu soberano”

O qual foi proferido depois da Peregrinação da despedida. Desta maneira, em grupos, os presentes foram declarar-lhe obediência e felicitá-lo. Inclusive Abu bakr e Omar al Khattab estavam com os que felicitaram a Imam Ali (A.S.) e disseram: “Bravo, felicitações a ti, ó filho de Abu Talib! Por tornaste o Mawla (senhor) de todo crente e de toda crente.”
(1) (Musnad de Ibn Hambal v.4 p.281/ Sirrul Alamin, Imam Ghazzali p.12)

Esta designação foi recompilada tanto nos textos xiitas como nos textos sunitas. E neste estudo menciono somente as fontes sunitas e ainda assim não menciono todas elas pois são mais do que eu possa recordar. Se o leitor deseja indagar por uma abundância de detalhes, sugiro que estude o livro “al Ghadir” de Allamah al-Amini, que consta de 13 volumes, onde o autor enumera os narradores deste hadith, entre os sunitas.

Quanto a afirmação da eleição por consenso de Abu Bakr no dia de As Saqifah e o posterior juramento de fidelidade que lhe deram na mesquita, certamente que é uma alegação sem fundamento algum. Como pode Ter havido consenso se se opuseram ao Bai’ah (juramento de fidelidade) tanto Ali como Al Abbas e o resto de Bani Hashim, como também Usamah Ibn Zaid, Az Zubair, Salman Al Farsi, Abu Dharr Al ghuffari, al Miqdad Ibn Aswad, Ammar IbnYasir, Hudhaifah Ibn Al Yaman, Khuzaimah Ibn Çabit, Abu Buraidah al Aslami, Al Barâ Ibn Azib, Ubai Ibn Ka’ b, Sahl Ibn Hanif, Saa’d Ibn Ubâdah, Qais Ibn saa’d, Abu Ayyub Al ansari, Jábir Ibn Abdillah, Khalid Ibn Saîd e muitos outros? (3) (Tarikh At Tabari, Tarikh Ibn Al Azir)

Onde está o pretendido consenso, ó servos de Deus? Ainda que Ali tivesse sido o único a se opor ao Bai’ah, teria sido suficiente para impugnar o chamado consenso, pois foi ele o único nomeado pelo enviado de Deus (S.A.A.S.), em contraposição a hipótese da não-existência de uma estipulação direta (como alegam os sunitas). A bai’ah dada a Abu Bakr foi sem consulta. Ao contrário, tomou de surpresa as pessoas, especialmente aos dotados de poder de decisão (como foram chamados pelos sábios islâmicos) dentre eles, os quais estavam ocupados preparando o funeral do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.). Os cidadãos de Medina estavam dominados pela comoção pela morte de seu Profeta, e em tal situação se obteve a Bai’ah do povo por coerção. (Tarikh al Khulafah , Ibn Qutaibah v.1 pág. 18).

É isto que podemos deduzir da ameaça de queimar a casa de Fatima (A.S.) caso aqueles que não estavam de acordo com essa Bai’ah se recusassem a sair. Portanto, como podemos nos permitir, depois disto, dizer que a Bai’ah foi implementada através da consulta e do acordo popular? O mesmo Omar Ibn Al Khattab testificou que “essa Bai’ah foi um erro, que Deus proteja aos muçulmanos de seu mal” E ele disse: “Matai a todo aquele que a repita” e disse: “Se alguém chamar a uma ação similar, não lhe conceda a Bai’ah nem a ele, nem aqueles que a realizem.” (Sahih Al Bukhari v.4 p. 127) Disse Imam Ali (A.S.) referindo-se a seu direito: “Por Deus, que o filho de Abu Quhhafah (Abu Bakr) se investiu com o califado sabendo muito bem que eu era tão indispensável ao mesmo como uma base a pedra do moinho. A ciência e a virtude emanam de mim e as aves do céu não chegam a minha altura.” (Nahjul Balagha v.1 p.34)

Saa’d Ibn Ubadah, o chefe dos Ansar, atacou a Abu Bakr e a Omar no dia de As Saqifah e tratou com todos seus esforços para mantê-los alijados do Califado e impedir-lhes ascender a ele, porém não o conseguiu, pois estava enfermo e incapaz de manter-se em pé. Depois que os Ansar deram seu Bai’ah a Abu Bakr, Saa’d disse: “Por Deus, nunca lhes darei meu Bai’ah e os combaterei até lançar minha última flecha e tingir de sangue minha lança. Os atacarei com minha espada com todo poder de minha mão, e os combaterei junto a todos os membros de minha família e de meu clã. Por Deus! Que ainda que todos os gênios e seres humanos se unissem, jamais, até que se apresente diante de mim meu Senhor, eu os darei meu Bai’ah!” Ele nunca orou com eles nem participou em suas reuniões. Se houvesse encontrado um grupo que o apoiasse, haveria se oposto a eles e lhes combatido. Se manteve nesta posição até que morreu na Síria, durante o califado de Omar. (Tarikh Al Khulafah, v.1 p.17 Ibn Qutaibah )

Se “esse bai´ah foi um erro, que Deus proteja aos muçulmanos de seu mal” como expressou o próprio Omar, apesar de ter sido um dos seus promotores, e é conhecido o que sucedeu aos muçulmanos como resultado disso. Se já estava estipulado quem deveria assumir o califado, antes da nomeação de Abu Bakr, como Imam Ali (A.S.) expôs ao dizer que era o legítimo possuidor do mesmo. Se essa Bai’ah foi injusta, segundo o afirmou Saa’d Ibn Ubadah, o “senhor dos Ansar” que abandonou o grupo reunido por causa disso. E se essa Bai’ah era ilegal devido ao desacordo dos grandes companheiros com Al Abbas, tio do profeta, então, qual é a evidência e a prova que apoia a legalidade da sucessão de Abu Bakr ao califado? A resposta é que os sunitas não possuem evidências nem provas a esse respeito. Deste modo, o que os xiitas dizem com relação a este tema é correto, pois está confirmada a existência de textos que se referem ao Califado como um direito de Ali, entre os próprios sunitas, porém deliberadamente eles os interpretam de modo errado para proteger a honra de alguns Sahabah (companheiros do profeta). Assim, a pessoa equitativa e justa não pode deixar de aceitar a existência da designação (de Ali) especialmente se conhece as circunstâncias em que se deu o caso.

2. A DISCÓRDIA ENTRE FATIMA (A.S.) E ABU BAKR

Se duvidasse da autenticidade dessa história, então estaria duvidando da autenticidade do Livro de Al Bukhari que os sunitas consideram o mais correto depois do Livro de Deus. Como nós (sunitas) impomos o fato de que é correto e autêntico, então os xiitas têm razão de usá-lo como argumento contra nós e apresentá-lo como evidência para aquilo no qual nós mesmos nos obrigamos a crer. Isto é o que se entende por imparcialidade, entre os que possuem intelecto.

Em seu livro, Al Bukhari escreve, num capítulo intitulado: “As virtudes da família do mensageiro de Deus (S.A.A.S.),” o seguinte: “O Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) disse: “Fátima é parte de mim e todo aquele que a aborrece , aborrece a mim.” Mesmo assim, no capítulo sobre “a conquista de Khaibar”, escreveu: “Foi transmitido por A’isha que Fátima (A.S.), a filha do Profeta (S.A.A.S.), enviou uma mensagem a Abu Bakr pedindo-lhe sua parte da herança do Mensageiro de Deus, (a terra de Fadak que o Profeta (S.A.A.S.) em vida havia dado a Fátima (A.S.)), porém ele se recusou a lhe entregar algo. Fátima se aborreceu tanto com Abu Bakr que se manteve afastada dele e nunca mais lhe dirigiu a palavra até sua morte.” (Bukhari v.3 p.39)

O resultado final, que Al Bukhari menciona brevemente e que Ibn Quttaibah fala com alguns detalhes, é que: “O Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) se aborrecia quando Fátima estava aborrecida, e estava satisfeito quando Fátima estava satisfeita; e o fato é que ela morreu estando aborrecida com Abu Bakr e Omar.” Se Al Bukhari disse: “Ela morreu estando aborrecida com Abu Bakr, pois não falou com ele até sua morte,” então o significado é bastante claro. Se Fátima é “a Senhora das Mulheres do Mundo”, como Al Bukhari declarou na seção Al Isti’dhân; e se Fátima é a única mulher nesta comunidade a quem Deus afastou completamente da impureza e purificou sobremaneira, então seu aborrecimento não pode ser senão justo; por conseguinte, Deus e seu Mensageiro se aborrecem com seu aborrecimento. Abu Bakr disse: “Que Deus, o Altíssimo, me proteja de sua própria ira, e da tua ó Fátima!” Em seguida chorou amargamente e ela disse: “Por Deus que suplicarei contra ti em cada oração que realize.” Ele saiu chorando e dizendo: “Não preciso de vosso juramento de fidelidade! Eu me eximo de minhas obrigações.” (Tarikh Al Khulafah, Ibn Quttaibah, v.1 p. 20) .

Muitos de nossos historiadores e sábios admitem que Fátima (A.S.) discutiu com Abu Bakr em muitos casos tais como os donativos, a herança e as partes dos familiares, porém suas reivindicações foram rechaçadas, e ela morreu estando aborrecida com ele. Não obstante, nossos sábios (sunitas) passam por alto sobre estes incidentes, e não querem falar deles, a fim de preservar a integridade de Abu Bakr, como é o costume. Uma das coisas mais surpreendentes que já li com relação a este tema é o que um dos escritores disse depois de mencionar o incidente com alguns detalhes: “Nem Fátima estava a exigir algo sobre o que não tinha direito e nem estava Abu Bakr a negar seus direitos.” O autor supôs que através dessa débil racionalização poderia resolver o problema e convencer os investigadores. Suas palavras foram como dizer: “Nem está o Alcorão a dizer algo exceto a verdade e nem estavam os filhos de Israel a adorar o bezerro.” Temos conhecido sábios que falam sobre o que não entendem e que crêem simultaneamente na tese e na antítese. O ponto é que Fátima fez reclamações a Abu Bakr e este as rechaçou, portanto, ou bem ela era uma mentirosa (Me amparo em Deus por dizer isso, pois estava longe de sê-lo) ou Abu Bakr foi um opressor em relação a ela. Não pode haver uma terceira solução para este caso, como alguns de nossos sábios desejariam.

As narrativas corretas transmitidas e os argumentos lógicos, impedem de aceitar que a “Senhora das mulheres do mundo” tenha sido uma mentirosa, pois seu pai, o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) disse: “Fátima é parte de mim, e quem quer que seja que a lastima, me lastima.”

E pela lógica alguém que aceita que uma pessoa que mente não é digna de tal dito da parte do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) . Por conseguinte, o próprio dito é um claro indício de sua infalibilidade a respeito da mentira e de outros atos vergonhosos. O versículo da purificação que está no Alcorão Sagrado é outro indício de sua impecabilidade, tendo sido revelado em sua honra e em honra de seu esposo e de seus dois filhos, como Aisha testificou (Sahih Muslim v. 7 p.121 e 130). Assim, não resta aos sensatos senão reconhecer o fato de que ela foi tratada injustamente, e que só pode ser desmentida em sua demanda pelos que ameaçaram queimar sua casa caso não saíssem dela os que se opunham a jurar-lhes fidelidade (Tarikh al Khulafah v.1 p. 20). Por causa de tudo isso, Fátima (A.S.) negou a entrada em sua casa a Abu Bakr e a Omar quando eles solicitaram sua permissão. Inclusive, quando Ali lhes permitiu entrar, ela voltou sua face para a parede e se negou a olhar para eles (Tarikh Al Khulafah - ibid).

Ademais, antes de morrer, pediu para ser sepultada secretamente durante a noite, a fim de que nenhum deles pudesse estar presente em seu funeral (Sahih al Bukhari v.3 p.39), e até hoje, a tumba da filha do profeta, é desconhecida. Este tema também está recompilado como verdadeiro por ambas as partes, e a pessoa eqüitativa e justa não pode senão julgar que Abu Bakr estava numa posição errada, ainda que não admita sua injustiça e maltrato para com a Senhora das Mulheres, pois qualquer um que siga os eventos dessa tragédia e que estude seus diferentes fatos, reconhecerá, com toda certeza, que Abu Bakr deliberadamente prejudicou a Azzahra e a contradisse de modo que ela não pôde protestar contra ele apoiada nas estipulações de Al Ghadir e outras que se referem ao direito legítimo de seu esposo à sucessão do Califado, e há muitas indicações que assim se deu; entre elas está a mencionada pelos historiadores sobre que Azzahra (A.S.) foi aos lugares de reunião dos Ansar, pedindo o apoio e a Bai’ah a seu esposo. Eles disseram: “Ó filha do Mensageiro de Deus! Nós já demos nossa Bai’ah a esse homem. Se teu esposo e primo houvesse nos procurado antes que ele, nós o teríamos apoiado.” Ali (A.S.) disse: “Deixaria eu o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) em sua casa, sem sepultá-lo, e iria disputar com as pessoas (a respeito de sobre quem recairia) sua autoridade?” Fátima disse: “Abul Hassan fez o conveniente, porém quanto ao que lhe fizeram, certamente que Deus lhes exigirá contas .” (Tarikh al Khulafah, v.1 p.19/ Sharh Nahjul Balaghah, Ibn Al Hadid)

Se Abu Bakr tivesse agido mal, equivocado, porém com boa intenção, ou duvidando, Fátima teria o persuadido, porém ela se aborreceu com ele e não lhe falou mais até sua morte, pois ele se recusou a aceitar em toda ocasião seu argumento e testemunho, como também o de seu esposo. Por tudo isso se irou com ele a tal ponto, que não lhe permitiu presenciar seu funeral, estipulando isto em testamento a seu esposo, que a sepultou secretamente durante a noite (Sahih Al Bukhari v.3 p.36 e Sahih Muslim v. 2 p. 72).

Já que mencionei seu enterro, de modo secreto e a noite, direi que durante minha investigação fui a Medina para examinar por mim mesmo algumas realidades. Então descobri o seguinte:

Em primeiro lugar, se desconhece a localização da tumba de Fátima (A.S.). Alguns dizem que está na câmara do Profeta (S.A.A.S.) (ou seja, enterrada junto a ele). Outros dizem que a tumba está situada em frente à do Profeta, e há pessoas que afirmam que está no cemitério de Al Baqi em meio às tumbas pertencentes aos Ahlul Bait (A.S.) porém sem estar delimitada. Esta é a realidade que se deduz: Azzahra (A.S.) desejava com isso que os muçulmanos através das gerações se perguntassem o porque que ela pediu a seu esposo para que a sepultasse secretamente durante a noite e que ninguém assistisse a seu funeral! Deste modo, qualquer muçulmano poderia chegar a certas conclusões interessantes mediante o exame da história.

Em segundo lugar, descobri que aquele que deseja visitar a tumba de Uzman Ibn Affân deve caminhar um longo trecho até que chegue ao final de Al Baqi e ali a encontra sob um muro. Enquanto que encontrará as tumbas da maioria dos companheiros no começo de Al Baqi, perto da entrada. Inclusive o túmulo de Malik Ibn Anas, o fundador do famoso Madhhab, que foi um dos tabi ‘in da terceira geração dos muçulmanos, perto das tumbas das esposas do Mensageiro (S.A.A.S.). Com isso comprovei aquilo a que os historiadores se referiram ao dizer que Uzman está enterrado em Hash Kawkab, a qual era terra judia, porque os muçulmanos se recusaram a sepultá-lo em Al Baqi do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.). Quando Muawiah se apropriou do Califado, comprou aquela terra dos judeus e a incluiu em Al Baqi, a fim de que pudesse conter a tumba de seu primo Uzman. Aquele que visite hoje Al Baqi, observará este fato muito claramente.

Não termino de surpreender-me ao saber que apesar de que Fátima (A.S.) ter sido a primeira a alcançar seu pai, pois entre sua morte e a dele houve um espaço de seis meses, não foi sepultada ao lado de seu pai. Bem pode ter sido devido a que Fátima (A.S.), como já mencionei, tenha manifestado em seu testamento que desejava ser sepultada secretamente; porém, e quanto seu filho, Al Hassan (A.S.)? Por que não foi sepultado ao lado de seu avô?

Aishah não o permitiu. Quando Al Hussain (A.S.) levou o corpo de seu irmão para sepultá-lo junto a seu avô, o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.), Aishah montou em uma mula e saiu gritando: “Não enterreis em minha casa a quem não quero.” Então, Banu Umayyah e Banu Hashim se levantaram dispostas a lutar entre si, porém al Hussain (A.S.) disse a ela que apenas levaria o ataúde de seu irmão ao redor da tumba de seu avô e que o enterraria em Al Baqi. Pois o Imam Al Hassan (A.S.) lhe havia recomendado para que nenhum sangue fosse derramado por sua causa. Ibn abbas pronunciou célebres versos com relação a esse fato: “Tu montaste um camelo / tu montaste uma mula / e se houvesse vivido mais tempo teria montado um elefante / te correspondia um nono do oitavo (da herança) e no entanto, te apoderaste de toda (a herança).” (nota – segundo as leis da herança, se o falecido tem filhos, a esposa só corresponde um oitavo. Esse oitavo se divide entre as esposas por partes iguais).

Este é outro fato interessante: como pôde Aishah herdar toda a casa do Profeta (S.A.A.S.), quando ele tinha nove esposas? Ibn abbas nos transmitiu: “Se o Profeta não deixou nenhuma herança, como Abu Bakr testemunhou ao impedir que Azzahra herdasse algo de seu pai, então como pôde Aishah fazê-lo? Há algum texto que estabeleça que a esposa pode herdar, porém a filha não? Ou acaso foi a política que mudou as coisas de tal modo que se negou a filha tudo e se deu a esposa tudo?” É digno de menção aqui uma história relatada do tema da herança que foi citada por muitos historiadores. Ibn Abi Al Hadid al Mutazili disse em seu comentário do Nahjul Balaghah: “Aishah e Hafsah foram ver a Uzman durante o seu califado e lhe pediram que lhes desse sua parte do que haviam herdado do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.). Uzman estava estendido em um sofá e então se sentou e disse a Aishah: “Tú e essa mulher sentada junto a ti persuadiram a um beduíno ignorante que se purificava com sua própria urina, para que testificasse junto a vocês que o Mensageiro de Deus dissera: “Nós, os profetas, não deixamos herança”. Se o Profeta verdadeiramente não deixou herança, o que é que vocês me pedem agora? E se ele deixou herança, porque privaram a Fátima de sua parte legal? Depois disso, ela o deixou e estava muito irritada e disse: “Matai a Na’zal pois se tornou um incrédulo!” (Sharh Nahjul Balaghah v. 16 p. 220-223).

3-ALI ERA O MAIS DIGNO DE SER SEGUIDO

Uma das razões que me levaram ao esclarecimento e abandonar a sunnah de meus pais e avós, foi a comparação entre Ali Ibn Abu Talib (A.S.) e Abu Bakr, baseada em deduções lógicas e nas referências históricas. Como manifestei nos capítulos anteriores, só inclui em minha investigação as referências concordantes tanto para os sunitas como para os xiitas. Busquei nos livros de ambas as partes e só encontrei consenso em Ali (A.S.). Ambos concordam em seu Imamato de acordo com o estabelecido nos textos fundamentais de suas escolas. Por outro lado, não existe acordo quanto a liderança como direito de Abu Bakr exceto para uma parte dos muçulmanos e já mencionamos o que Umar disse sobre essa sucessão ao califado. Assim, também encontrei muitas virtudes e méritos de Ali (A.S.) que são mencionadas pelos xiitas, usando como referências autênticas os livros básicos dos Sunitas, o que não deixa qualquer dúvida. Os ditos relatam mais virtudes do Imam Ali (A.S.) que de qualquer outro companheiro, e inclusive Ahmad Ibn Hambal disse: “Ninguém, dentre os companheiros do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) teve mais virtudes do que Ali Ibn Abu Talib.” (2) (Al Mustadrak âla Sahihain, Al Hakim v.3, p.107/ Al Manaqib, Al Khawarizmi pag.3 e 19) O Qadi Ismail Al Nisaî e Abu Ali Al Naisabûri, disseram: “Nenhum companheiro teve tantas virtudes atribuídas a ele como Ali.” (Ar Ryyad Al Nadhirah por At Tabari v. 2 p.282/ As Sawaiq Al Muhriqah, Ibn Hajar Al Haizami p. 118 e 72)

É sabido que os omíadas trataram energicamente de forçar o povo em todas as regiões a maldizer e insultar a memória de Ali, e a não mencionar nenhuma de suas virtudes. Inclusive proibiram que alguém levasse seu nome. Apesar de tudo isso, suas virtudes e bons atos continuaram difundindo-se. Com relação a isso, Imam Ash Sháfi disse: “Estou surpreso por um homem cujas virtudes foram mantidas em segredo por seus inimigos por inveja, e mantidas em segredo por seus seguidores por temos, porém sem dúvida, uma enorme quantidade delas se difundiram.” E quanto a Abu Bakr, também busquei nos livros de ambas as partes e encontrei que as virtudes a ele atribuídas pelos sunitas não eram mais e nem se igualavam as atribuídas a Ali. Ainda assim, as virtudes de Abu Bakr mencionadas nos livros foram narradas, ou por sua filha Aishah, cuja posição a respeito do Imam Ali (A.S.) está bem documentada e que tratou com todo esforço de apoiar seu pai, inclusive fabricando ditos; ou por Abdullah, filho de Umar, que também foi uma pessoa distanciada de Imam Ali (A.S.). Foi um dos que se recusaram a jurar fidelidade a Ali (A.S.) apesar do apoio popular que ele havia recebido (depois da morte de Uzman). Abdullah Ibn Umar dizia que as melhores pessoas depois do Profeta foram Abu Bakr, depois Umar e então Uzman e depois destes, todos eram iguais (Al Bukhari, v.2 p.202). Deste modo, considerou a Ali (A.S.) uma pessoa ordinária, sem nenhuma distinção ou virtude.

Qual foi a atitude de Abdullah Ibn Umar quanto a realidade que inclusive expressaram as grandes personalidades e Imames da comunidade sobre que: “Nenhum companheiro teve tantas virtudes atribuídas como as narradas sobre Ali Ibn Abu Talib em cadeias de transmissão fidedignas?” Acaso não escutou nem sequer uma das virtudes de Ali (A.S.)? Sim, por Deus, que as havia escutado e compreendido, porém as intrigas políticas tendem a distorcer a realidade. As virtudes de Abu Bakr foram mencionadas por Amru Ibn al âs, Abu Hurairah, Urwah e Akramah, e todos eles a história registra tomando partido contra Imam Ali (A.S.) e combatendo-lhe, com armas ou por meio de complôs, e atribuindo virtudes a seus inimigos. Imam Ahmad Ibn Hambal disse: “Ali teve muitos inimigos que buscaram avidamente encontrar um erro atribuído a ele, porém não o conseguiram, porquanto engrandeceram e louvaram a um homem que o havia combatido e guerreado, por sua intensa inimizade e rancor em relação a Ali.” (Fath Al Bâri fi Sharh Al Bukhari, v.7 p.83/ Tarikh Al Khulafah, As Suiuti, p.199/ As Sawaiq al Muhriqah, Ibn Hajr p. 125) Porém Deus disse:

“Eles conspiram (contra ti) e eu conspiro (contra eles), tolera pois, os incrédulos, tolera-os por ora.” (C.86 - V.15 –17)

Certamente que é um milagre de Deus, louvado seja, que as virtudes de Ali (A.S.) se difundissem depois de seis séculos de opressão e injustiça contra ele e os Ahlul Bait (A.S.).

O poeta Abu Firâs Al Hamadâni escreveu os seguintes versos: “O que Banu Harb (Umayyah) fizeram não é nada em comparação / ao que fizestes / quanto tempo violastes a religião? / E quanto sangue do Profeta foi derramado por vós? / Pretendeis ser seus seguidores / enquanto cai de vossos dedos / o sangue de seus filhos purificados.”

Depois de finalizar com estes ditos, e haver saído da obscuridade para a luz, deixo o último julgamento para Deus. Não haverá mais desculpas das pessoas ante ELE depois de tudo isso. Apesar do fato de que Abu Bakr foi o primeiro califa e que teve todo o poder e autoridade, apesar dos subornos e favores que Omíadas deram a cada um que elogiava a Abu Bakr, a Omar e a Uzman, apesar de todas as supostas virtudes e boas ações que inventaram para Abu Bakr, as quais encheram muitos livros, apesar de tudo isso, isso não chega nem a uma fração das verdadeiras virtudes do Imam Ali (A.S.).

Ademais, se analisarmos os supostos ditos favoráveis a Abu Bakr, os encontramos incompatíveis com os fatos históricos, e nenhum homem sensato os pode aceitar.

Previamente explicamos o dito atribuído ao Profeta (S.A.A.S.): “Se a fé de Abu Bakr e a de minha comunidade fossem postas numa balança, a fé de Abu Bakr pesaria mais...”. Se o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) sabia deste alto grau da fé que Abu Bakr possuía, por que designou a Usamah Ibn Zaid para comandar o exército e se recusou a atestar por ele, como o fez pelos mártires de Uhud, e lhe disse que não sabia que faria ele depois de sua partida, razão pela qual Abu Bakr chorou? (Muwatta, Al Imam Málik, v.1 p.307/ Magházi al wâqidi p. 310). Além disso, porque o Profeta (S.A.A.S.) enviou atrás de Abu Bakr, a Ali Ibn Abu Talib (A.S.) para tomar dele a Sura Al Bara’ah e impedir-lhe transmiti-la (coisa que estava para fazer, e que correspondia a Ali fazê-lo)? (Sahih Tirmidh v.4 p.339/ Musnad Ibn Hambal, v.2 p.319) Neste caso, o Profeta (S.A.A.S.) não haveria dito em Khaibar, enquanto apresentava o estandarte: “Amanhã darei minha bandeira a um homem que ama a Deus e a seu Mensageiro e a quem Deus e seu Mensageiro amam; que é um herói nas batalhas e nunca foge. Deus já pôs a prova seu coração mediante a fé.” Em seguida, entregou-o a Ali e a ninguém mais (Sahih Muslim (cap. As virtudes de Imam Ali)). Se Deus sabia que Abu Bakr tinha tão alto grau de fé, e que sua fé superava a de todos os muçulmanos, por que teve ELE, Louvado Seja, que ameaçá-lo com tornar vãs suas obras se levantasse sua voz por sobre a do Profeta (S.A.A.S.)? (Sahih Al Bukhari, v.4 p. 184). Se Ali (A.S.) e os companheiros que o seguiam sabiam que Abu Bakr possuía tão alto grau de fé, então, por que não concordaram com seu Bai’ah? Se Fátima Azzahrah, a senhora das mulheres do mundo, sabia que Abu Bakr tinha tão alto grau de fé, então por que se irou com ele e se recusou a falar-lhe ou retornar suas saudações, o maldisse em suas orações e não lhe permitiu de acordo com seu testamento que assistisse seu funeral? E se mesmo Abu Bakr estivesse inteirado de seu próprio elevado grau de fé , não haveria atacado a casa de Fátima nem que lhe tivesse declarado guerra, nem haveria queimado a Al Fayâh As Salami, nem haveria proposto no dia de As Saqifah que o Califado fosse de um desses dois homens: Omar ou Abu Ubaidah (Tarikh At Tabari v.4 p.52/ Al Imamah was Syyâsah v.1 p.18/ Tarikh al Masûdi v. 1 p.414).

Além disso, quem possui tal hierarquia, pesando sua fé mais do que de toda a comunidade, não teria que ter se arrependido nos últimos momentos de sua vida pelo que fez a Fátima, por ter queimado Al Fayãh As Salami e por haver aceito o Califado, assim como não teria que haver desejado ser um pêlo ou dejetos de animais, em vez de um ser humano. É acaso a fé de um homem assim, igual, ou ainda maior, que a fé de toda a comunidade islâmica? Consideremos o dito: “Se eu devesse eleger um grande companheiro, elegeria a Abu Bakr.”
Este dito é como o anterior. Onde estava Abu Bakr no dia da “Pequena Irmandade” em Meca, antes da Hijra, e no dia da “Grande Irmandade” em Medina, depois da Hijra, quando em ambas ocasiões o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) elegeu a Ali como seu irmão e disse:
“Tu és meu irmão nesta vida e na outra” (3) (Tadhkiratul Khawas, As Sibt Ibn Al Yawzi p. 23/ Tarikh Dimashq, Ibn Asakir v.1 p.107), e não se voltou para Abu Bakr, privando-o assim de sua irmandade na outra vida e do companheirismo íntimo?

Não desejo seguir falando desse tema, é suficiente citar esses dois exemplos que encontrei nos livros sunitas. Quanto aos xiitas, não reconhecem esses ditos em absoluto, e possuem suas próprias provas evidentes de que foram inventados tempos depois da morte de Abu Bakr. Se deixamos as virtudes de lado e nos centramos nos pecados, nunca encontraremos nem uma simples falta que tenha sido cometida por Ali (A.S.) que tenha sido mencionada nos livros sunitas ou xiitas, enquanto encontramos que as demais pessoas cometeram pecados que foram mencionados nos livros sunitas, tais como As Sihah e os diferentes livros bibliográficos e de história. Deste modo, existe um total acordo entre ambas as partes com relação a Ali somente, além disso, as realidades históricas ressaltam que somente ele (A.S.) teve uma Bai’ah correta. Ainda assim vemos que Ali (A.S.) quis abster-se de aceitar o Califado depois de Uzman, porém os Muhajirin e os Ansar insistiram em sua aclamação, sendo finalmente designado. Algumas pessoas se recusaram a jurar-lhe fidelidade, porém ele nunca as forçou, enquanto que encontramos que a aclamação de Abu Bakr “foi um erro” (como Omar expressou). A aclamação de Omar como califa foi baseada numa promessa dada a ele por Abu Bakr e a aclamação de Uzman foi uma comédia histórica: Omar nomeou a seis pessoas para que designassem o Califa, e lhes disse que escolhessem um dentre eles próprios. Lhes disse que se quatro concordassem e dois não, então esses dois seriam assassinados; não obstante, se os seis estivessem divididos em duas partes iguais, então prevaleceria a parte apoiada por Abdur Rahman Ibn Awf; porém se transcorresse um certo tempo e não se chegasse a nenhum acordo, os seis deveriam ser assassinados (?!).

A história é longa e um tanto estranha, porém o importante é que Abdur Rahman Ibn Awf escolheu a Ali com a condição que governasse de acordo com o Livro de Deus e a tradição do Mensageiro, e aceitasse a tradição de Abu Bakr e Omar. Ali (A.S.) se recusou a última condição porém, Uzman a aceitou, e por isso se transformou em Califa. Ali (A.S.) saiu sem dar a bai’ah, pois sabia de antemão o resultado, e falou sobre isso em seu famoso discurso conhecido como Ash Shiqshiquiah. Depois de Ali (A.S.), Muawiah se apoderou do califado e o transformou num sistema hereditário dentro de Bani Umayyah, e depois deles, dentro do clã abássida, onde os califas sucediam um após o outro, ou seja por nomeação pessoal (do califa anterior), ou por meio da força, das armas e do poder. Desde o começo da era islâmica, até Kemal Atartuk, que aboliu o califado, não houve uma correta Bai’ah (por consenso e sem que alguém pudesse considerá-la um erro) exceto a dada ao Imam dos crentes, Ali Ibn Abu Talib (A.S.).

OS AHADITH QUE INDICAM O FATO DE QUE ALI DEVERIA SER SEGUIDO.

As tradições proféticas que me persuadiram a seguir o Imam Ali (A.S.) foram aquelas que li nos Sihah dos sunitas e que são aprovadas pelos xiitas, que possuem muitas mais. Porém, como de costume, só me referirei às tradições proféticas em que concordam ambas as partes. Eis aqui somente algumas delas:

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Eu sou a cidade do conhecimento e Ali é seu portal.“ (Mustadrak al Hakim v.3 p.127/ Tarikh Ibn Kazir v.7 p.358/ Al manaqib, Ahmad Ibn Hambal)

Somente este dizer é suficiente para indicar quem deveria ser seguido como exemplo depois do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.), pois o sábio é mais digno de ser seguido. Deus, o Altíssimo diz: “Dize: Acaso se equiparam os sábios com os que não sabem?” (Sagrado Alcorão, C.39 – V.9)

E diz:

“O que guia até a verdade é mais digno deser seguido, ou aquele que não pode faze-lo a menos que seja guiado? Como julgais?” (Sagrado Alcorão, C.10 – V.35)

É óbvio que o sábio é o que guia e o ignorante é o que requer semelhante guia, necessitando mais do que ninguém. Com respeito a isso, a história registra que Ali (A.S.) foi o mais sábio dentre todos os companheiros e eles recorriam a ele em todo assunto importante, sem que tenha havido nenhuma ocasião em que ele tenha recorrido a algum deles. Disse Abu Bakr: “que Deus não me coloque jamais diante de um problema que Abul Hassan (Ali) não esteja para resolvê-lo.” E Omar disse: “Se não fosse por Ali, Omar teria perecido” (Al Istiab v.3/p.39/Manaqib Al Khawarizmi p.48/ Ar Ryyâd Al Nadhirah v.2 p.194) Ibn Abbas disse: “Meu conhecimento e o conhecimento dos companheiros de Mohammad (S.A.A.S.) não é senão uma gota nos sete mares comparado com o conhecimento de Ali” (mesmas fontes citadas no dito anterior).

Imam Ali (A.S.) disse sobre si mesmo: “Pergunta-me antes que me perdeis. Por Deus, se me perguntais sobre qualquer coisa que sucederá até o dia do juízo, eu os contestaria sobre ela. Pergunta-me sobre o Livro de Deus, porque, por Deus, que não há versículo do qual eu não saiba se foi revelado de noite ou de dia, numa planície ou numa montanha (4) (Al Muhibb At Tabari, A ryyâd Nadhirah v.2, p.198/ Tarikh Al Khulafah, As Suiuti, p. 124)

Por outro lado, uma vez que se perguntou a Abu Bakr sobre o significado da palavra Ibb (pasto) nas palavras de Deus, o Altíssimo: “E frutas e pastos para vosso proveito e de vosso gado” (Sagrado Alcorão, C. 80 – V.31-32) Respondeu: “Qual céu me daria proteção e em qual terra me refugiaria, se dissesse algo que não sei sobre o Livro de Deus?” E eis Omar Ibn Al Khattab dizendo: “Todas as pessoas são mais inteligentes que eu, inclusive as mulheres.” Uma vez lhe perguntaram sobre o significado de um versículo do Alcorão e sua reação foi repreender ao homem e golpeá-lo até que sangrasse. Então disse: “Não pergunteis sobre assuntos que se tornassem manifestos seriam males para vós” (Sunan Ad Darimi v.1 p.54/ Tafsir Ibn Kazir v.4 p.232) Também se perguntou a ele sobre “Al Kalalah”, porém não conhecia essa norma. Em seu tafsir, At Tabari registrou que certa vez Omar disse: “Conhecer (a norma de) Al Kalalah seria mais valioso para mim que possuir os palácios da Síria.” Em um dos seus livros, Ibn Mayah registrou Omar a dizer: “ Há 3 coisas, que se tivessem sido esclarecidas pelo Mensageiro de Deus, teria sido preferível para mim que todo o mundo e o que ele contém: Al Kalalah, a usura e o califado.” Glorificado seja Deus! Longe estava o Mensageiro de Deus de ter falado sobre estes temas e não haver nos esclarecido sobre eles!

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Ó Ali, Tu ocupas em relação a mim a mesma posição que Harun (Arão) ocupava em relação a Moisés, ainda que depois de mim não haverá mais profeta.” Este dizer como é evidente para toda pessoa sensata, particulariza o Imam dos Crentes, Ali, para ser o apoio, o representante e o Califa (sucessor) do Mensageiro de Deus, tal como Harun (A.S.) foi o apoio, o representante e o sucessor de Moisés (A.S.) quando se ausentou para encontrar-se com seu Senhor.

Também inclui a posição do Imam Ali (A.S.) com relação ao Profeta (S.A.A.S.) a qual é absolutamente igual a de Harun (A.S.) com relação a Moisés (A.S.), exceto pela profecia, a qual foi excluída no mesmo Hadith. Além do mais, se deduz do hadith o fato que Imam Ali (A.S.) foi o melhor dos companheiros, a quem só superava em categoria o próprio Mensageiro de Deus (S.A.A.S.).

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “A quem eu sou seu patrono, Ali é seu patrono. Ó Deus! Sê amigo dos que são seus amigos e inimigo de seus inimigos, auxilia a quem o auxilie, abandona a quem o abandone e fazei com que a justiça esteja com ele aonde ele se encontre.”

Este hadith é suficiente para refutar as pretensões concernentes a prioridade de Abu Bakr, Omar e Uzman por sobre quem foi designado pelo Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) como Wali (patrono) dos crentes depois dele próprio. É inaceitável, e não merece importância, a opinião daqueles que interpretam este hadith dando-lhe o significado de que o Profeta (S.A.A.S.) desejava fazer saber que amava a Ali (A.S.), que este era um defensor do Islam. Isto fazem para desvirtuar seu significado real a fim de preservar a integridade de alguns companheiros.

O Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) se pôs de pé no calor ardente dirigindo-se ao povo dizendo: “Testificais que eu possuo mais direito sobre os crentes do que eles mesmos?” Responderam: “Sim! Ó Mensageiro de Deus!” Então, ele (S.A.A.S.) disse: “A quem eu sou seu patrono, Ali é seu patrono...” Esta é uma clara estipulação da parte do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.), de Ali (A.S.) como seu sucessor para conduzir a comunidade. A pessoa sensata, justa e imparcial não pode senão aceitar que este seja o significado do hadith e descartar interpretações falsas, pois preservar a integridade do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) tem prioridade sobre preservar a dos companheiros, pois uma interpretação errônea tolera uma minimização e burla o juízo e a prudência do Mensageiro (S.A.A.S.), que reuniu a multidão, naquele insuportável calor, só para dizer que Ali era amigo e defensor dos crentes!

Como é que explicam, os que interpretam de modo confuso o texto a fim de preservar a integridade de seus mestres e senhores, a procissão de felicitações que o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) organizou para Ali (A.S.) em seguida? A fila de felicitações começou com as esposas do Profeta e seguiu com Abu Bakr e Omar, que disseram: “Bravo, Bravo por ti, ó filho de Abu Talib! Pois tornaste o Mawla (senhor) de todo crente e de toda crente!” (Musnad de Ahmad Ibn Hambal, v.4,p.281) Na realidade, todas essas evidências históricas dão claras indicações de que aqueles que interpretaram de modo diverso e errôneo a Tradição mencionada são mentirosos! Ai deles! Pelo que escreveram suas mãos e ai deles! Pelo que seguem escrevendo. Deus, o Altíssimo diz:

“...Porém alguns deles ocultam a verdade conscientemente.” (Sagrado Alcorão, C.2 – V.14)

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Ali é parte de mim e eu sou parte de Ali, e ninguém pode desempenhar meu dever exceto eu mesmo ou Ali.” (Sunan Ibn Majah v.1 p.44/Sahih Tirmidh v.5 p.300/ Jasa’is Annisaî p.20/ Al jamiul Saghir As Suiuti v.2p.56) Esta tradição é outra clara indicação de que o Imam Ali (A.S.) foi a única pessoa a quem o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) considerou digna para desempenhar seus deveres. O Profeta (S.A.A.S.) disse isso no dia da Grande Peregrinação, quando enviou Ali (A.S.) com a Surah Al Bara’ah em vez de Abu Bakr, que regressou chorando e disse: “Ó mensageiro de Deus! Permita que eu proclame algo da revelação.” O Profeta (S.A.A.S.) respondeu: “Meu Senhor me ordenou que ninguém pode desempenhar meu dever exceto eu mesmo ou Ali.” Isto é análogo ao que em outra ocasião o Profeta (S.A.A.S.) disse em honra de Ali (A.S.): “Ó Ali! Mostra-lhes o sendeiro reto quando surja o desacordo entre eles depois de mim.” (Tarikh dimashq, Ibn Asãkir v.2 p.488/Kunuz al Haqa’iq, Al Manawi, p.203) Não podemos culpar a Deus, ou o Mensageiro (S.A.A.S.), ou ao Comandante dos Crentes, Ali Ibn Abu Talib (A.S.) por isso, pois a grave culpa recai sobre aqueles que desobedeceram e se rebelaram.

Deus, o Altíssimo diz: “E quando se lhes diz: Vinde até o que Deus revelou e ao enviado, dizem: nos basta aquilo e quem encontramos a nossos pais. E se seus pais não sabiam nada nem estavam bem-guiados?” (Sagrado Alcorão, C:5 – V.104)

O HADITH AD’ DHAR

Disse o Profeta de Deus (S.A.A.S.) apontando para Ali: “Este é meu irmão, meu representante e meu califa (sucessor) depois de mim, portanto, escutai-o e obedecei-o.” (5) (Tarikh At Tabari v.2 p.319/Tarikh Ibn Al Azir v.2 p.62) Este constitui outro dos corretos ahadith citados por muitos historiadores, que remonta o começo da missão profética e que é considerado como parte dos milagres do Enviado de Deus (S.A.A.S.). Não obstante, intrigas políticas distorceram as realidades e os fatos, portanto não é de se estranhar que a opressão que tomou lugar então, se repita nesta época de luz. Por exemplo, Mohammad Hasanain Haikal, reproduziu o dito em sua totalidade em seu livro “A Vida de Mohammad”, na página 104 da primeira edição, em 1354 da Hijrah, e, desde a Segunda edição em diante, a parte do dito onde o Profeta (S.A.A.S.) disse: “... é meu representante e meu califa depois de mim...” foi retirada. Do mesmo modo, no Tafsir de At Tabari, v.19, p.121, o dito do Profeta: “... meu representante e meu califa..” foi retirada e trocada por: “Este é meu irmão, ...etc...” porém fracassaram em seu intento, pois não se precaveram de que o próprio At Tabari havia citado o dito na íntegra em seu livro “Tarikh At Tabari” v.2 p.319. Observem como trocam as palavras e distorcem os fatos... “pretendem extinguir a luz de Deus com suas bocas, porém Deus é Quem mantém a Sua luz.”

Durante minha investigação queria ver a verdade por mim mesmo, assim, busquei a primeira edição de “A Vida de Mohammad” e depois de um árduo trabalho, Louvado Seja Deus, a encontrei e me custou muito! O importante é que observei por mim mesmo a distorção e isso aumentou minha certeza sobre o fato de que gente perversa está tratando com muito esforço de remover realidades reconhecidas, pois nelas há fortes evidências para seus contendores. Quando o investigador imparcial se encontra diante de tão evidente distorção, não vacila em manter-se afastado deles, e então sabe, sem dúvida, que não possuem evidências exceto falsidades e fatos que distorcem a qualquer preço. Contratam a muitos escritores que em troca de dinheiro, títulos e falsas graduações universitárias escrevem o que desejam em livros e artigos, através dos quais insultam os xiitas e os acusam de incrédulos, e ao mesmo tempo, defendem ardorosamente a posição, ainda que seja injusta, de alguns dos companheiros que se voltaram sobre seus próprios passos e que trocaram o verdadeiro pelo falso depois da morte do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.).

Diz Deus, o Altíssimo: “O mesmo diziam seus antecessores. Seus corações são iguais. Em verdade temos aclarado os sinais para aqueles que possuem a certeza.” (Sagrado Alcorão, C. 2 – V.118)

O HADITH AÇ ÇAQALAIN

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Ó povo, deixo entre vós algo que se vos firmais a eles jamais vos extraviareis . O livro de Deus e a minha família (Ahlul Bait).” Também disse: “Logo virá a mim o enviado de meu Senhor (o anjo da morte) e eu aceitarei seu chamado. Certamente que deixo entre vós dois encargos: O primeiro é o Livro de Deus, no qual encontrareis guia e luz, e o segundo é os Ahlul Bait. Eu os previno, que não esqueceis os Ahlul Bait, eu vos previno por Deus, que não esqueceis os Ahlul Bait” (Sahih Muslim v.5 p.122/ Sahih Tirmidh v.5 p.328/ Mustadrak Al Hakim v.3 p.148/ Musnad Ibn Hambal v.3 p.17).

Ao examinarmos com cuidado este nobre Hadith, o qual tem sido referido nos Sihah dos Sunitas, perceberemos que somente os xiitas tem seguido a estes preceitos: O Livro de Deus e a Gente da Casa do profeta (S.A.A.S.), enquanto os sunitas seguiram o dito de Omar: “Nos é suficiente o Livro de Deus”. Se ao menos tivessem seguido o Livro de Deus sem interpretá-lo segundo seus próprios caprichos... Contudo, o próprio Omar não compreendia o significado de Al Kalalah e não conhecia o versículo a respeito do Tayyamum e outras tantas normas, então, que se dirá daqueles que vieram depois dele e o imitaram sem realizar o Ijtihad, ou que o fizeram, interpretando os textos sagrados segundo seu parecer? Naturalmente, me responderam com a versão do hadith citada por eles, que diz: “Deixo entre vós o Livro de Deus e o meu sunnah (tradição)” (citado por Muslim em seu Sihah e por AnNisa’i, At tirmidh, Ibn Majah e Abu Dawud em seus Sunan). Essa versão se fosse verdadeira, seria correta em seu significado geral, pois a palavra descendência no Hadith Çaqalain antes mencionado, determina por meio de quem podemos receber o seu Sunnah (tradição), posto que por suas próprias palavras, exorta a referir-se a sua Família (Ahlul Bait) para que, em primeiro lugar, lhes ensinem sua própria Tradição (sunnah) e lhes transmitam os ahadith corretos, pois eles estavam isentos da mentira, já que Deus, Glorificado Seja, os tornou infalíveis no versículo sobre a purificação. Em segundo lugar, para que lhes expliquem e interpretem os verdadeiros significados e propósitos dos ahadith, pois o Livro de Deus somente, não é suficiente para a orientação. Existem tantas facções que alegam seguir o Alcorão, porém que na realidade, se extraviaram, como disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Quantos recitadores do Alcorão existem, a quem o próprio Alcorão amaldiçoa!”

O Livro de Deus é geral e brinda muitos aspectos. Contém versículos Muhkamah (normativos) e versículos Mutashabihah (alegóricos) e para compreende-los é necessário referir-se aqueles que são “imbuídos da ciência”, como manifestam os versículos alcorânicos, e os Ahlul Bait (A.S.), como expressam as palavras do Profeta (S.A.A.S.). Os xiitas se referem em tudo aos Imames Infalíveis dos Ahlul Bait e tão somente realizam Ijtihad daquilo sobre o qual não haja estipulação. Por outro lado, os sunitas se referem em tudo aos companheiros, quer seja no concernente ao Tafsir (exegese) do Alcorão ou a confirmação da sunnah e sua explicação... E já conhecemos a condição dos companheiros, o que fizeram, as coisas que inventaram e interpretaram baseando-se em suas opiniões pessoais contrapostas aos textos evidentes, e que somam centenas; portanto, não podemos nos fiar neles depois do que fizeram. Se perguntamos aos Ulamá sunitas: “qual sunna vocês seguem?” Respondem categoricamente: “A sunnah do Mensageiro de Deus!”. Todavia, as realidades históricas são incompatíveis com isso. Eles narraram que o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) disse: “Tomai minha sunnah e a sunnah dos califas corretamente guiados depois de mim, sujeitai-vos firmemente a ela.” Neste caso, a Sunnah que seguem seria, em sua maior parte a dos Califas corretamente guiados. Inclusive a sunnah do Mensageiro que eles alegam seguir seria, na verdade, transmitida por essas pessoas. Lemos nos sihah que se cita ao Mensageiro de Deus proibindo-lhes escrever sua Sunnah, a fim de que não fosse confundida com o Alcorão. Isso é o que fizeram Abu Bakr e Omar durante seus califados. Depois disto, não resta prova alguma para o dito: “Deixo-vos minha sunnah.” (nota: a expressão “O livro de Deus e minha descendência” é aceita de forma unânime como atribuída ao Profeta (S.A.A.S.). Enquanto o hadith que contém o termo “minha sunnah” não aparece em nenhum dos seis sihah. O hadith é citado com essa expressão no Al Muwwatah, de Imam Málik, que o transmitiu como mursal (que só tem confirmação até a Segunda geração depois do Profeta) e não como Musnad (hadith de autenticidade verificada). At Tabari, Ibn Hisham e outros o citaram como “mursal” do mesmo Málik).

Os exemplos que citei neste estudo e muitos outros não citados, são suficientes para refutar este dito, pois como é evidente, há elementos na sunnah de Abu Bakr, Omar e Uzman que contradizem e negam a sunnah do Profeta (S.A.A.S.).

O primeiro incidente que teve lugar após a morte do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.), que os sunnis e os historiadores em geral mencionam, foi a discussão entre Fátima Azzahrah (A.S.) e Abu Bakr, que baseou seu argumento no pretenso hadith: “Nós, os profetas, não deixamos herança, tudo o que deixamos para trás, é caridade.” Este dito foi desmentido por Fátima (A.S.), que o declarou falso baseando-se no Sagrado Alcorão. Ela respondeu a Abu Bakr, dizendo que seu pai, o Mensageiro de Deus, não podia contradizer o Alcorão que foi revelado, pois Deus, o altíssimo disse: “Deus os ordena o seguinte no que toca a vossos filhos que a porção do varão seja equivalente a de duas mulheres” (Sagrado Alcorão, C. 4 – V.11) Este versículo é geral e inclui tanto aos profetas como aos que não o são.

Em seguida, ela se queixou com os seguintes versículos do Alcorão: “Salomão herdou a Davi...” (4:11) “(Disse Zacarias): Outorga-me pois, de tua parte um descendente que me herde a família de Jacó, e faz, senhor, que ele seja aprazível a ti.” (19: 5,6)

O segundo incidente em que se viu envolto Abu Bakr durante os primeiros dias de seu califado e que os historiadores sunitas registraram, foi seu desacordo com o mais próximo dele dentre as pessoas: Omar Ibn Al Khattab. O incidente teve lugar por causa da decisão de Abu Bakr de combater e assassinar a aqueles que se recusaram a pagar o Zakat; porém Omar discordou e disse a ele que não os combateria, pois ele havia escutado o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) dizer: “Ordeno-vos a combater as pessoas até que digam: Não há Deus senão Deus e Mohammad é seu Mensageiro. Aquele que diga isso, verá sua riqueza e seu sangue a salvo de mim, e só o cabe render contas diante de Deus”.

O seguinte é um texto citado por Muslim em seu Sahih: “O Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) entregou a bandeira a Ali no dia da batalha de Khaibar e Ali disse: “Ó mensageiro de Deus! Sobre que base eu os combaterei?” O Mensageiro respondeu: “Combatei-os até que testifiquem que não há divindade senão Deus e que Mohammad é o Mensageiro de Deus, e se o fizerem, então isso te impedirá de matá-los e tomar seus bens, salvo o que corresponda por direito, e só lhes caberá prestar contas diante de Deus.” (S. Muslim v.8 p.151)

Contudo, Abu Bakr não se satisfez com este hadith e disse: “Por Deus! Eu combaterei aqueles que se abstenham da oração e do zakat, pois o zakat é uma obrigação imposta sobre a riqueza (a qual lhe permitiria combatê-los, pois segundo ele “lhe correspondia por direito”). E também disse: “Por Deus! Se eles me negam um cordão do que deveriam dar ao Mensageiro de Deus (por corresponder ao Zakat) eu os combaterei por isso.” Omar se sentiu satisfeito e disse: “Depois que vi a Abu Bakr determinado, senti que Deus confortava meu coração.” Eu não sei como Deus pode confortar os corações das pessoas por contradizer a Sunnah do Profeta! Esta interpretação foi usada para justificar sua luta contra os muçulmanos, aos que Deus havia proibido matar. Deus diz em seu Livro:

“Ó fiéis, quando viajardes pela causa de Deus, sede ponderados; não digais, a quem vos propõe a paz: Tu não é fiel – com o intento de auferirdes (matando-o e despojando-o) a transitória fortuna da vida terrena. Sabei que Deus vos tem reservado numerosas fortunas. Vós éreis como eles, em outros tempos; porém Deus voa agraciou (com o Islam). Meditai, pois, porque Deus está bem inteirado de tudo quanto fazeis. (Sagrado Alcorão, 4:94)

Sem dúvida, aqueles que se negaram a dar a Abu Bakr seu Zakat não negaram sua obrigação, mas sim, demoraram a fazê-lo para que a questão fosse esclarecida. Os xiitas dizem que essas pessoas estavam surpresas pelo califado de Abu Bakr, pois alguns deles estavam presentes na Peregrinação da Despedida e haviam escutado o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) informar o povo da estipulação do califado a Ali Ibn Abu Talib (A.S.). Por conseguinte, decidiram esperar até conhecer a verdade da questão, porém Abu Bakr queria silenciá-los a respeito disso, razão pela qual cometeu um massacre.

Em razão de ter me proposto a não argumentar me baseando no que dizem os xiitas, deixarei este tema para que o investigue quem tiver interessado nele. Não obstante, não devo deixar de mencionar aqui que o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) teve um encontro com Za’ labah, que lhe pediu repetidas vezes que suplicasse para que ele se tornasse rico, e prometeu a Deus que se isso se concretizasse praticaria a caridade. O Profeta (S.A.A.S.) fez dua’a por Za’labah, que se tornou um homem rico. A tal ponto que suas ovelhas e camelos encheram Medina; então começou a afastar-se e deixou de comparecer as preces de Sexta-feira, quando o Profeta (S.A.A.S.) enviou até ele encarregados de coletar o zakat, Za’labah se recusou a entregar-lhes algo, alegando que isso seria uma jiziah (imposto que se cobra aos não-muçulmanos num estado Islâmico) ou algo similar a isso.

Ainda assim, o Profeta (S.A.A.S.) não o combateu, nem ordenou sua morte; e Deus lhe revelou o seguinte versículo referente a ele:

“Entre eles há alguns que juram por Deus: Se Ele (Deus) nos agraciar de sua bondade. Faremos caridade e nos contaremos entre os virtuosos. Mas quando ele concedeu de sua graça, tornaram-se mesquinhos e a renegaram desdenhosamente.” (Sagrado Alcorão, C.9 – V.75 e 76)

Depois da revelação destes versículos Za’labah se dirigiu ao Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) chorando e lhe pediu que aceitasse seu Zakat, porém o Profeta (S.A.A.S.) se recusou a aceitar, de acordo com as narrativas. Se Abu Bakr e Omar estavam seguindo a tradição do Mensageiro de Deus, por que permitiram o assassinato de todos esses muçulmanos inocentes só porque se negaram a pagar o Zakat? Os apologistas tratam de justificar o erro de Abu Bakr quando ele interpretou que tinha o direito de combatê-los por ser o Zakat uma obrigação imposta sobre a riqueza, porém não resta desculpa nem para eles e nem para Abu Bakr depois de considerar a história de Za’labah que se absteve do Zakat por considerá-lo Jiziah. Quem sabe, talvez Abu Bakr persuadiu a seu amigo Omar da necessidade de assassinar a aqueles que se negavam a pagar o zakat, porque do contrário sua exortação se teria difundido através do mundo islâmico para reviver a estipulação de Al Ghadir, onde Ali (A.S.) foi confirmado para o califado; e foi desse modo que Omar sentiu que Deus confortava seu coração ao combatê-los, tendo em conta que foi ele que ameaçou de matar e queimar aqueles que permaneciam na casa de Fátima (A.S.), a fim de forçá-los a dar a bai’ah a Abu Bakr. E quanto ao terceiro incidente que teve lugar durante os primeiros dias do califado de Abu Bakr, e no qual se encontrou ele em desacordo com Omar ao haver interpretado os textos do Alcorão e do Profeta, foi aquele de Khalid Ibn Walid, que assassinou a Malik Ibn Nuwairah e tomou e violou a sua esposa na mesma noite. Omar disse a Walid: “Ó inimigo de Deus! Assassinaste a um muçulmano, depois violaste a sua esposa, por Deus que te lapidarei!” (Tarikh At Tabari v.3 p.280/ Tarikh Abil fidá v.1p.158/ tarikh Al Laqubi v.2 p.110/ Al Isabah fi Marifat is Sahabah v.3 p.336) Todavia, Abu Bakr defendeu Khalid e disse: “Ó Omar! Perdoa-o; ele interpretou (as leis) e cometeu um erro. Não o repreendas.” Este é outro escândalo que a história registrou de um “proeminente companheiro!” O qual, quando mencionamos, o fazemos com todo respeito e reverência. Até lhe demos o título de “espada desembainhada de Deus!” Que posso eu dizer sobre um companheiro que fez tudo isso, que matou a Malik Ibn Nuwairah, o honrado companheiro, líder de Banu Tamim e Bani Iarbû; famoso por sua generosidade, nobreza e coragem? Os historiadores narraram que Khalid assassinou a Malik e seus seguidores por meio de engano, depois de que eles deixaram suas armas e se colocaram juntos para orar, que foram amarrados e que junto a eles estava Laila Al Minhal, a esposa de Malik, que era considerada uma das mulheres mais formosas de seu tempo. Se diz que quando Khalid a viu, quedou-se perplexo por sua beleza. Malik disse: “Ó Khalid, envia-nos até Abu Bakr e ele será nosso juiz!” E Abdullah Ibn Omar e Abu Qutadah Al Ansari interviram e insistiram com Khalid que os enviasse a Abu Bakr, porém ele se recusou e disse: “Que Deus não me deixe com vida se eu não o mato!” Então, Malik olhou para sua esposa Laila e depois voltou-se a Khalid dizendo-lhe: “Ela é a causa de minha morte (isto é, a beleza de sua esposa induziu Khalid a matá-lo). Depois disso, Khalid ordenou sua execução, deteve sua esposa e a tomou a força nesta mesma noite (mesmas fontes citadas do anterior e ainda Tarikh Ibn As Sihnah v.11 p.114/Wafaiatul Aian v.6p.14) Que posso eu dizer sobre aqueles companheiros que infringiram as proibições de Deus? Assassinaram a muçulmanos por paixões pessoais e violaram as disposições cometendo estupros.

No Islam, uma viúva não pode ser tomada como esposa por outro homem antes de um período definido de tempo (îddah) especificado por Deus em seu Livro. Sem dúvida, Khalid tomou como divindade suas paixões, renegando assim o Islam, e o que importava a ele o îddah depois que havia assassinado a seu esposo e seus companheiros, apesar do fato de que eram muçulmanos, segundo o testemunho de Abdullah Ibn Omar e de Abu Qutadah? Este último se aborreceu tanto com o comportamento de Khalid que regressou a Medina e jurou que nunca mais serviria em um exécito sob o estandarte de Khalid Ibn Walid (Tarikh At Tabari v.3 p.280/Tarikh Allaqubi v.2 p.110/ Tarikh Abil Fidá v.3 p. 336).

Como estamos falando deste famoso incidente, é digno observar o que o Prof. Haikal escreveu em seu livro “As Sidiq Abu Bakr” num capítulo entitulado: “a opinião de Omar e sua posição sobre o tema em questão”. Diz o autor: “Omar, que era um exemplo vivo de justiça, viu que Khalid havia tratado injustamente a um muçulmano e que havia tomado sua viúva antes do fim de seu îddah, pelo que considerou que Khalid não podia permanecer no comando do exército, a fim de que nenhum incidente semelhante se repetisse, e não se corrompesse os assuntos dos muçulmanos e lhes resultasse num mau nome entre os árabes. Ele disse: “Não é correto deixá-lo sem castigo depois de seu comportamento com Laila.” Ainda que fosse correto que Khalid interpretou as leis e se equivocou no que se referia a Malik, sendo isto que Omar não aprovou, o que fez a viúva somente, merecia ser condenado. O fato de que fosse “a espada de Deus” e que se disse sobre que “o triunfo só se consegue tendo Khalid como comandante” não o eximia de ser condenado nem tampouco era motivo para que todas as proibições fossem lícitas para ele, já que se fosse assim, as pessoas com Khalid abusariam da lei. Pior, seriam maus exemplos à todos os muçulmanos e não se respeitaria o Livro de Deus. Deste modo, Omar manteve a pressão sobre Abu Bakr até que este convocou a Khalid e o repreendeu” (As sidiq Abu Bakr, prof. Haikal p.151). Podemos perguntar ao Sr. Haikal e aqueles de nossos sábios que se lhe assemelham, e que tendem a preservar a honra dos Sahabah, por que Abu Bakr não aplicou a Khalid as sanções dispostas no Alcorão? E se Omar foi um exemplo ideal de justiça como o Prof. Haikal expressou, por que só lhe foi suficiente a destituição de Kalid do comando do exército e não a aplicação das sanções legais a fim de que não se constituísse um mal exemplo para todos os muçulmanos no que se referia a respeitar o Livro de Deus, segundo ele mesmo disse? Acaso respeitaram eles o Alcorão e executaram as leis de Deus? Não! Só seguiam as pautas da política, aquela que altera as verdades e atira os textos sagrados do Alcorão na parede!

Alguns de nossos sábios nos narraram em seus livros que certa vez o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) se irritou muito quando Usamah tratou de interceder a favor de uma mulher nobre acusada de roubo. O Mensageiro (S.A.A.S.) disse: “Pobre de ti! Intercedes sobre uma das penalidades impostas por Deus? Por Deus, que se a própria Fátima, filha de Mohammad, roubasse, eu cortaria sua mão! ELE (Deus) aniquilou aqueles que os precederam porque deixavam ir o ladrão se era um dos nobres. Porém se o que havia roubado era um pobre, lhe aplicavam todo o rigor da lei”. Como puderam permanecer em silêncio com relação à morte de muçulmanos inocentes e a violação de suas viúvas na mesma noite, quão desgraçadas se sentiram pela trágica perda de seus esposos? Se ao menos tivessem permanecido em silêncio! Porém, tratam de justificar o delito de Khalid inventando numerosas virtudes e bons atos sobre ele, até o chamaram “a espada desembainhada de Deus.” Recordo que me causou estupor um amigo, conhecido por fazer piadas e por jogar com o significado das palavras trocando a expressão, quando eu estava mencionando as virtudes de Khalid Ibn Walid durante meus dias de ignorância e eu o chamei de “espada desembainhada de Deus” e ele respondeu: “É a espada desfiada do demônio”. Eu me indignei então, porém depois de minha investigação, Deus abriu meus olhos e me ajudou a conhecer o valor real daqueles que se apropriaram do califado e mudaram e infringiram as leis de Deus.

Há uma famosa história sobre Khalid que sucedeu durante a vida do Profeta (S.A.A.S.), que o enviou numa missão a Bani Judhaimah para convidá-los ao Islam, sem que tivesse ordem de combatê-los. Contudo, eles não declararam muito bem sua fé e disseram: “Deixamos nossa (antiga) religião... deixamos nossa (antiga) religião... Em conseqüência, Khalid começou a matá-los e a fazer alguns prisioneiros. Contudo, alguns de seus companheiros se negaram a fazer o que lhes ordenava. Quando regressaram contaram ao Profeta (S.A.A.S.) o que havia acontecido. Ele (S.A.A.S.) disse: “Ó Deus! Eu não sou responsável pelos crimes de Khalid Ibn Walid”. E repetiu isso duas vezes (Sahih Bukhari v.4 p.171). Em seguida enviou Ali a Bani Judhaimah com dinheiro para pagar o preço de sangue pelas mortes e pelos prejuízos materiais. Inclusive se pagou o preço de um recipiente onde se dava de beber aos cães, que também havia sido destruído. Depois que Ali (A.S.) regressou, o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) se pôs de pé em direção a quiblah, levantou suas mãos ao céu e disse 3 vezes: “Ó Deus! Eu não sou responsável pela ação de Khalid Ibn Walid” (Sihah Ibn Hisham v.4 p.53/ Tabaqat Ibn Saad v.3p.102)

Podemos perguntar onde está a pretensa retidão que se atribui a todos os companheiros, tendo em conta as ações de Khalid Ibn Walid, que é considerado um dos grandes homens, ao ponto de ser chamado “a espada desembainhada de Deus”? Acaso Deus desembainhou a sua espada para matar os muçulmanos inocentes e violar a integridade das pessoas? Há uma clara contradição aqui, pois Deus proíbe o assassinato e o cometer atos vis, imorais e injustos; porém Khalid parece Ter desembainhado a espada da injustiça para assassinar a muçulmanos inocentes e para confiscar seus bens e fazer cativas suas mulheres e filhos. Isto manifesta uma evidente mentira e falsidade. Glorificado e louvado sejas ó Senhor Nosso! Tu estás acima de tudo isso. Bendito e elevado sobremaneira... Glorificado sejas; tu não criaste os céus e a terra e o que há neles em vão. Ai dos descrentes! Pois o inferno está a espera deles.

Como se permitiu Abu Bakr, sendo o califa dos muçulmanos, escutar sobre todos aqueles crimes e guardar silêncio? Inclusive pediu a Omar que deixasse de atacar Khalid com sua língua, e se aborreceu com Abu Qutadah porque este protestou firmemente pela ação de Khalid. Acaso estava ele convencido de que Khalid havia interpretado de modo equivocado as leis? Que desculpa pode dar-se àqueles corruptos que violam a integridade humana e afirmam Ter interpretado as leis? Eu não creio que Abu Bakr tenha considerado assim a ação de Khalid, a quem Omar chamou de “Inimigo de Deus”. Omar opinou que Khalid deveria ser executado, pois havia assassinado a muçulmanos inocentes; ou que deveria ser lapidado, pois havia abusado sexualmente da viúva de Málik. Pois nada disso aconteceu a Khalid, ao contrário, saiu vitorioso sobre Omar porque contava com o apoio incondicional de Abu Bakr, ainda que este conhecesse a verdade sobre Khalid, mais do que ninguém. Os historiadores registraram que depois deste terrível delito, Abu Bakr enviou Khalid a uma missão em Iamamah, da qual saiu vitorioso, e como resultaod, tomou como esposa uma moça dali, da mesma maneira que fez com Laila, antes do sangue daqueles inocentes e o sangue dos seguidores de Musailamah tivessem secado. Mais tarde, Abu Bakr o reprovou pelo que havia feito e usou palavras mais duras que da primeira vez (As Sidiq Abu bakr, Prof. Haikal p.151). Indubitavelmente, o esposo daquela moça foi assassinado por Khalid, que a tomou para si da mesma maneira que havia feito com Laila, a viúva de Málik. Se tivesse sido de outra maneira, Abu Bakr não o teria reprovado usando palavras mais duras que do evento anterior. Os historiadores mencionam o texto da carta que Abu Bakr enviou a Khalid na qual dizia: “Ó Ibn Umm Khalid! Por minha vida, tu não estás fazendo nada senão ter relações com mulheres, e no pátio de tua casa todavia está o sangue de 1200 muçulmanos, que ainda não secou” (Tarikh At Tabari v.3 p.254/Tarikh al Khamis v.3 p.343). Quando Khalid leu a carta , comentou: “Esta deve ser obra de Al A’asar (o que torna as coisas difíceis)”, se referindo a Omar. Estes são alguns dos fortes motivos que me fizeram sentir aversão por este tipo de Companheiros e por seus seguidores que se sentem comprazidos com eles e os defendem ardorosamente, interpretam os diferentes textos e inventam fantásticas narrações para justificar os atos de Abu Bakr, Omar, Uzman, Khalid Ibn Walid, Muawiah, Amr Ibn Al As e seus semelhantes. Ó Deus! Peço-te perdão e diante de ti me arrependo. Ó Deus! Eu não sou responsável pelas ações e ditos daqueles que se opuseram às tuas normas, violaram teus textos e transgrediram teus limites. Eu não sou responsável e me desentendo de seus seguidores e do que fizeram. Perdoa-me por meu prévio apoio a eles, posto que eu era ignorante já que teu Mensageiro (S.A.A.S.) disse: “O ignorante não será repreendido por sua ignorância”. Ó Deus! Nossos líderes e mestres nos tem desviado, nos ocultaram a verdade, nos apresentaram quadros distorcidos daqueles companheiros renegados, e nos levaram a crer que eles eram as melhores pessoas depois de teu Mensageiro. Não há dúvida que nossos antepassados foram vítimas do engano e das intrigas dos Omíadas e mais tarde dos Abássidas. Ó Deus! Perdoa a eles e a nós, pois tu conheces o que ocultam os corações e os segredos. Eles só amaram e respeitaram a aqueles companheiros com boa intenção, pois os consideravam os auxiliares de teu Mensageiro, que tuas bençãos e tua paz esteja sobre ele e sobre aqueles que o amam, tu conheces, meu Senhor, seu amor e o nosso pela purificada descendência de teu Mensageiro, os Imames dos Ahlul Bait (A.S.), de quem afastaste a impureza e purificaste sobremaneira; e pelo primeiro deles, o comandante dos muçulmanos, chefe dos mais iluminados, Imam de todos aqueles que temem a Deus, Sayydna Ali (A.S.). Oh Deus! Torna-me um dos seus seguidores, um dos que se firmam a corda de sua lealdade e que seguem sua senda. Permite-me estar em sua Arca e ser um dos que se apegam a seu apoio, que é o mais firme. Permite-me entrar por sua porta e ser um dos dedicados a seu amor e amizade, dos que realizam tudo isso em palavras e em ações e que agradecem suas virtudes e legados. Ó Deus! Ressuscita-me junto a eles, pois Teu Profeta (S.A.A.S.) disse: “O humano será ressuscitado junto com aqueles que ama.”

O HADITH DA ARCA

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Por certo que o exemplo da gente de minha casa é como o da Arca de Noé; todo o que embarque nela se salvará e todo aquele que a abandone se afogará” (6) Al Mustadrak , Al Hákim, v.3 p.151/Janabi Al Mawaddah p.30 e 370)

E também disse: “O exemplo dos Ahlul Bait entre vós e como da porta do arrependimento dos filhos de Israel; todo aquele que entre por ela será perdoado” (Majma al Zawa’id , Al Haizami v.9 p.168)

Ibn Hajar citou o hadith antes mencionado em seu livro “As Sawá’iq Al Muhriqah” e fez o seguinte comentário: “Seu objetivo ao compará-los a Arca foi dizer que quem os ame e os honre por suas graças, e tome a guia de seus Ulamá, será salvo da obscuridade das contradições; e que quem se afastar deles se afogará no mar da ingratidão e será aniquilado no deserto da tirania. A razão de comparar os Ahlul Bait com a porta do arrependimento é que Deus, o Altíssimo, fez que ao entrar pela porta do arrependimento (a porta de Jericó, ou de Baitul Muqaddas, Jerusalém) com humildade e implorando o perdão, fosse um meio para alcançar sua indulgência. Similarmente, o meio para este Ummah é os Ahlul Bait.” Desejaria poder perguntar a Ibn Hajar se ele foi um dos que subiu a bordo da Arca, entrou pela porta e foi guiado pelos Ulamá, ou se acaso foi um desses que não praticam o que dizem e contradizem sua própria crença. Existem muitas destas pessoas que quando pergunto ou debato com elas, dizem: “Nós temos prioritário respeito aos Ahlul Bait e a Imam Ali; nós respeitamos e apreciamos os Ahlul Bait e ninguém pode negar suas graças e virtudes!” Assim, eles dizem com suas línguas o que não está em seus corações, ou em todo caso, os respeitam e apreciam, porém seguem e imitam seus inimigos que os combateram e os contradisseram; ou, nas maioria das vezes não sabem o que representa os Ahlul Bait, e se lhes pergunta quem são os Ahlul Bait, respondem imediatamente: “São as esposas do Profeta, a quem Deus afastou da impureza e purificou completamente.” Foi um deles que me fez “resolver o enigma” quando lhe perguntei e me respondeu dizendo: “Todo o povo sunita segue aos Ahlul Bait.” Me surpreendi e disse: “Como pode ser isso?” Ele respondeu: “O Profeta (S.A.A.S.) disse que devemos tomar a metade de nossa religião de Humaira’ (referindo-se a Aishah), portanto tomamos a metade da religião dos Ahlul Bait.” É sobre essas bases que se pode entender suas palavras de respeito e apreciação por Ahlul Bait (A.S.), porém se lhes perguntamos sobre os Doze Imames (A.S.), só conhecem deles a Ali, a Al Hassan e Al Hussein (A.S.) e sem aceitar o imamato destes últimos, no entanto respeitam a Muawiah Ibn Abi Sufian, que envenenou a Al Hassan (A.S.) e o assassinou (o chamam de o “escriba da revelação”) e a Amr Ibn Al âs, da mesma maneira que respeitam a Ali (A.S.).

Isto é o que se chama contradição, confusão e encobrir a verdade com a falsidade e a luz com a obscuridade. Como pode o coração do crente conter o amor a Deus e ao diabo ao mesmo tempo? Deus diz em seu Livro Iluminado:

“Não encontrarás povo algum que creia em Deus e no Dia do Juízo final, que tenha relações com aqueles que contrariam Deus e o Seu Mensageiro, ainda que sejam seus pais ou seus filhos, seus irmãos ou parentes. Para aqueles, Deus lhes firmou a fé nos corações e os confortou com o Seu Espírito, e os introduzirá em jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão eternamente. Deus se comprazerá com eles e eles se comprazerão n’Ele. Estes formam o partido de Deus. Acaso, não é certo que os que formam o partido de Deus serão os bem-aventurados?” (58:22)

Deus também diz:

“Ó fiéis, não tomeis por confidentes os Meus e os vossos inimigos, demonstrando-lhes afeto, posto que renegam tudo quanto vos chegou da verdade”. (60:1)

O HADITH “AQUELE QUE DESEJA VIVER COMO EU”

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “Todo aquele que deseja viver segundo minha vida, morrer segundo minha morte e habitar o Jardim do éden que Meu Senhor dispôs, deve acatar a Ali, como seu patrono depois de mim, amar a quem o ame, e seguir aos Ahlul Bait depois de mim, pois eles são minha descendência, foram criados do mesmo barro do que eu fui criado e foram agraciados com o mesmo conhecimento e compreensão que eu possuo. Ai daqueles de meu ummah que negue aos Ahlul Bait, suas virtudes e passem por cima de sua relação e afinidade comigo. Deus jamais lhe outorgará o benefício de minha intercessão” (7) ( Mustadrak Al Hákim v.3 p.128/Al Jamiul Kabir, at Tabarani/ Al Isabah , Ibn Hajar)

Como podemos ver, este hadith é mais um dos ahadith claros que não requerem nenhuma interpretação, nem deixam nenhuma possibilidade aos muçulmanos para divergir, ou melhor, não deixam nenhuma desculpa. O que não acata Ali (A.S.) e não siga aos Ahlul Bait (A.S.), a descendência do Profeta (S.A.A.S.), será privado da intercessão do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.). É digno de mencionar aqui, que através da investigação que realizei, cheguei a duvidar da autenticidade deste hadith, pois me dei conta que traz uma ameaça terrível aqueles que se opõem a Ali e aos Ahlul Bait (A.S.), especialmente por não deixar nenhuma oportunidade de interpretação. As coisas se facilitaram a mim quando lí no livro “Al Isabah”, o comentário de Ibn Hajar al Askalani que diz após citar este hadith:
“...Com relação a sua cadeia de transmissão devo dizer que é fraca a de Yahia Al Muharibi”. Dessa forma, Ibn Hajar fez desaparecer algumas ambigüidades que permaneciam em minha mente e pensei que Yahia Al Muharibi tinha fabricado o hadith, pois não era confiável... Porém Deus, Glorificado Seja, quis mostrar-me a verdade em sua forma completa, concedendo-me um dia a oportunidade de ler um livro intitulado: “Discussões teológicas sobre os escritos de Ibrahim al Jabhan”. Este livro fez –me assumir uma posição correta, pois me esclareceu que Yahia Al Maharibi era um dos transmissores verazes nos quais Muslim e Al Bukhari , confiaram. Eu mesmo segui o caso e encontrei que Al Bukhari citou vários ahadith transmitidos por ele com respeito à expedição de Al Hudaibiah no volume 3 , página 31. De modo similar, Muslim o cita em seu Sahih, volume 5 num capítulo entitulado: “As penas dispostas por Deus”, página 119. Inclusive o próprio Adh Dhahabi, tão inflexível que era, o considerou um transmissor confiável junto com os Imames de Al Jarh e Ta’dil (especialistas dedicados a discernir entre o transmissor confiável e o que não o é) e portanto Bukhari e Muslim o tomaram como referência.

Então por que, toda a intriga, falsificação, manipulação da realidade e calúnia contra um homem que foi considerado um transmissor confiável pelos autores dos Sihah? O caso é que ele disse a verdade com respeito a necessidade de seguir aos Ahlul Bait, o que o fez ser catalogado por Ibn Hajar como débil e dubitável? Parece que Ibn Hajar não se apercebeu do fato que estes escritos seriam analisados por alguns Ulamá sumamente críticos que consideram tanto o grande quanto o insignificante e que descobririam seu partidarismo, pois foram iluminados pela luz da profecia e dirigidos pela orientação dos Ahlul Bait.

Foi depois disso que dei conta de que alguns dos Ulamá se empenham em ocultar a verdade, de modo que não surjam a luz os assuntos dos Companheiros e dos Califas, que foram seus guias e líderes. Os encontramos tratando de interpretar os corretos e confirmados ahadith segundo seus pontos de vista, outorgando-lhes significados diferentes, ou negando aqueles que contradizem seu Madh’hab, ainda que estejam mencionados em seus próprios Sihah e Masánid.

As vezes, inclusive, eliminam a metade ou um terço do hadith para marcá-lo com algo distinto. Ou lançam dúvidas sobre narradores confiáveis porque estes tocam em temas que não satisfazem seus interesses, e em algumas ocasiões os publicam na primeira edição de um livro, porém os eliminam nas edições subseqüentes sem dar qualquer justificativa para a supressão. Não obstante muitos estudiosos possam dar conta disso! Me apercebi de tudo isso depois da investigação que realizei... e tenho provas contundentes de tudo que estou dizendo. Desejaria que deixassem de dar pretextos tão insensatos para justificar as ações dos Companheiros que se voltaram sobre seus próprios passos, pois seus pontos de vista se contradizem e contradizem os fatos históricos.

Desejaria que seguissem a verdade ainda que seja amarga. Só então estariam tranqüilos e desejariam a paz aos demais. Desejaria que fossem a causa para a união desta ummah dispersa e dividida só por apoiar ou desmentir suas palavras. Eles afirmam que alguns dos primeiros Companheiros não foram transmissores confiáveis dos Ahadith do Profeta (S.A.A.S.), portanto declararam falso o que não estava de acordo a seus caprichos, especialmente se estes ahadith incluíam algumas das últimas instruções do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.).

Al Bukhari e Muslim, ambos escrevem sobre o fato de que o Mensageiro de Deus(S.A.A.S.) aconselhou três coisas em seu leito de morte: “Expulsai os idólatras da península Arábica”, “Retribuí o exército da mesma maneira que eu fiz”. E o narrador depois disse: “Esqueci a terceira” (Sahih Bukhari v.1 p.121/ Sahih Muslim v.5 p.75) É possível que aqueles Companheiros que estavam presentes em seu leito de morte e que ouviram as 3 instruções, esqueceram a terceira, quando sabemos que conseguiam aprender de memória uma epopéia completa ouvindo uma única vez? Não. Foi a política que os forçou a esquecê-la e não mencioná-la novamente. Esta é mais uma daquelas comédias organizadas por alguns dos Companheiros, pois não há dúvida que a primeira instrução do Mensageiro de Deus foi a designação de Ali como seu sucessor, ainda que o narrador não a citou. A pessoa que investigue este tema, inevitavelmente intuirá aqui a existência da recomendação de Ali (A.S.) para a sucessão, apesar de todas as tentativas para ocultá-la e eliminá-la. Al Bukhari a citou em seu Sahih no capítulo “al Wasáiah (os legados). Muslim também a citou em seu Sahih, no capítulo “Al Wasíah” e disse que o Profeta (S.A.A.S.) recomendou a Ali (A.S.) para a sucessão na presença de Aishah (Sahih Bukhari v.3 p.68/ Sahih Muslim v.2 p.14). Observem como Deus mostra sua luz ainda que os opressores tratem de extingui-la. Insisto no que disse antes: se aqueles companheiros não foram confiáveis para transmitir as recomendações do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.), então não podemos culpar os Tabi’in (companheiros dos companheiros), nem aos que sucederam estes últimos.

Se Aishah, não podia suportar que se mencionasse o nome de Ali em sua presença, e não podia desejar-lhe nenhum bem como Ibn Saad escreve em seu Tabaqat (parte 2 p.29) e Al Bukhari em seu Sahih no capítulo “A enfermidade e a morte do Profeta”; e se ela se prostrou para agradecer a Deus quando ouviu sobre a morte de Ali (A.S.), então como esperaríamos que relatasse a recomendação a favor de Ali (A.S.), quando era conhecida publicamente sua animosidade e ódio em relação a ele e seus filhos (A.S.), e a toda a família do Profeta (S.A.A.S.)?

FA LAHAWLA WA LA QUWWATA ILLA BILLAHI L ALYYL ÂDZIM

NÃO HÁ PODER NEM FORÇA EXCETO EM DEUS,O ALTÍSSIMO,O GLORIOSO

Outras referências as tradições mencionadas:
1. Tadhkiratul Khawas,Ibn Al Jauzî p.29 , Ar Riad Annadhirah,At Tabari, v.2 p.169/Kanzul Ummal v.6 p.397/ Al bidaiah wan niháiah, Ibn Kazir v.5 p.212/Tarikh Ibn Asakir v.2 p.50/Tafsir Ar Razi v.3 p.63/ Al Hawi lil Fatawî, As Suiuti v.1 p.112
2. Tarikhul khulafah , As Suiuti p.168/ AsSawaiq Al Muhriqah , Ibn Hajar Al Haizami p.72/Tarikh Ibn Asakir v.3 p.63/ Shawahid Tanzil, AlHaskani al Hanafi v.1 p.19
3.Al Manaqib, Al Khawarizmi, p.7/ Al Fusul Al Muhimmah, Ibn As Sagh Al Maliki p.21
4.Al Itqân v.2 p.319/ Fath Al Bari v.8 p.485 Tahdhib At Tahdhib v.7 p.338
5. Sirah Halabyah v.1 p.311/Shawahid At Tanzil , Al Haskani v.1 p.371/ Kanzul Ummal v.15 p.15/ Tarikh Ibn Asakir v.1 p.85 / Tafsir Al Khazim, Al Aud din Ax Xáfi’i v.3p..85
6. As Sawaiq Al Muhriqah, Ibn Hajar p.184 e 234/ Tarikh Al Khulafah i Jamî As Saghir , As Suiuti
7. Kanzul Ummal v.6 p.155/ Al Manaqib, Khawarizmi p.34/ Janabil Al Mawaddah p.149/ Hiliatul Awliâ v.1 p.86/ Tarikh Ibn Asakir v.2 p.95

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Palavras Iluminadas

“O crente precisa da ajuda de Deus, o Altíssimo, de um admoestador para si mesmo,
e da aceitação de quem o aconselhou.”  Imam Mohammad al-Jawad (A.S.)


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