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A Educação e a Formação Familiar Islâmica
Um dos desafios que se apresentam na atualidade aos muçulmanos é sem dúvida, a educação e a formação familiar islâmica, especialmente nos países em que estes sejam minoritários.

Por: Ahmed Ismail

Um dos desafios que se apresentam na atualidade aos muçulmanos é sem dúvida, a educação e a formação familiar islâmica, especialmente nos países em que estes sejam minoritários e vivam em sociedades não-islámicas.

Formar uma identidade islâmica e mantê-la em tais condições adversas é uma tarefa requerida não só dos indivíduos mas também de toda comunidade, ainda que esta, seja um reflexo do teor de aderência ao Islam que os indivíduos possuam. Daí que a importância do núcleo familiar nesta tarefa não é comparada a nenhuma outra.

Um possível sucesso dos muçulmanos nesse sentido à médio e longo prazo depende de uma reavaliação total daquilo que temos tomado como prioridades em nossas vidas, uma retomada dos valores islâmicos e a partir daí, um planejamento familiar sobre essas bases.

O primeiro item desse planejamento é a escolha do cônjuge. Se partirmos da experiência prática (que é o melhor referencial para o aprendizado), dando a devida atenção ao que esta experiência nos tem a ensinar, veremos que se mesmo um casal em que ambos sejam muçulmanos e aderentes ao din encontra imensas dificuldades para conseguir formar e manter uma família islâmica, diante das condições adversas que a sociedade de consumo impõe, um casal misto (em que a mulher não seja muçulmana e fiel ao din) não conta com nenhuma chance de cumprir esta tarefa. É a própria evidência dos fatos que afirmam que se um bom muçulmano deseja constituir uma família islâmica na qual os seus filhos receberão uma adequada educação dentro dos princípios do Islam, deverá então procurar uma esposa muçulmana, temente a Allah; qualquer outra escolha resultará em fracasso no que diz respeito a um planejamento familiar islâmico.

O segundo item a ser citado é a criação de um ambiente islâmico no lar. Esta é uma questão delicada e que compreende vários aspectos. Não se trata de rejeitarmos a nossa cultura nativa, mas sim, absorver dela apenas os pontos positivos e que não se oponham a Shariah e aos costumes islâmicos. É mais uma atitude do que um lar repleto de versículos pelas paredes (ainda que isso também tenha sua importância).

O casal islâmico deve acima de tudo, observar os princípios do din em seu relacionamento ciente de sua responsabilidade quanto aos exemplos aos filhos. O valor do exemplo supera qualquer ensinamento verbal, crianças que cresçam num lar harmonioso, sem assistir discussões desrespeitosas ou ouvir palavras obscenas, que cresçam vendo seus pais cumprindo o Sallah e o jejum de Ramadan, num ambiente livre de tiranias e comportamentos imorais, não terão nenhuma dificuldade em amar o Islam e seguir o exemplo de seus pais. Por outro lado, se qualquer dessas coisas citadas faltarem no lar, pouco poderemos esperar das crianças em relação ao Islam. Nesse esforço por constituir um ambiente islâmico no lar há um ponto de suma importância, considerando que vivemos numa sociedade irreligiosa sob o ponto de vista do Islam, os pais devem ter especial cuidado com a terrível influência que a tv exerce nas famílias, minando seus valores morais e religiosos. Um cuidado no selecionar o que os seus filhos assistem, e a melhor alternativa é criá-los desde muito cedo de modo a que se ocupem mais com atividades criativas e de lazer apropriado a sua idade a fim de que não se tornem condicionados a tv. Quanto a isto e necessário mencionar que também é um péssimo exemplo que os pais assistam a programas, novelas e filmes que promovam o erro, a violência, a imoralidade e todo tipo de estilo de vida pecaminoso, agindo assim concorrem pela corrupção de seus próprios filhos.

Um outro aspecto prejudicial à formação de um ambiente islâmico no lar é um traço característico da sociedade de consumo: o individualismo. A família islâmica deve refletir valores de cooperação entre seus membros para que não reproduza o individualismo predominante na sociedade. Se desde a mais tenra idade a criança estiver num ambiente em que as pessoas a sua volta não estejam a viver para si, mas sim como uma verdadeira família, assimilará isso facilmente e de modo espontâneo e, à medida que cresça sentirá a inclinação para a colaboração mesmo nas atividades mais corriqueiras da casa. Isso será como um exercício para a vida, capacitando-o a tornar-se um cidadão que zele pelos direitos alheios como pelos seus próprios direitos.

Se criado um ambiente islâmico no lar a formação de uma identidade islâmica assimilável pelos filhos se tornará muito mais fácil. Essa identidade islâmica ainda que se forme de modo gradativo, poderá fazer frente aos muitos desafios e obstáculos que a sociedade de consumo coloca diante da família muçulmana.

O sentir-se diferente não é para a criança algo que obrigatoriamente seja ruim ou desagradável. Esta sensação se tornará um incômodo para ela se os seus pais não a ensinem desde muito cedo, que o Islam é o bem mais precioso de todos (e é necessário que ela sinta neles um autêntico amor pelo Islam). Se isso for ensinado, a sensação de ser diferente não será um incômodo, ela aprenderá a lidar com naturalidade com as situações que todo muçulmano enfrenta em seu cotidiano numa sociedade não-islâmica.

Tudo o que foi até aqui proposto depende da reavaliação de nossas prioridades. Não podemos aspirar uma educação e formação islâmica para nossas famílias e filhos se continuarmos a pensar e agir segundo a lógica da sociedade de consumo, deixando a atenção a nossas famílias e filhos sempre em segundo plano com o argumento de que não temos tempo suficiente. Esta argumentação é inaceitável para o Islam, uma vez que Allah, Exaltado Seja, dispôs todas as coisas com absoluta proporção e ELE não nos encarregaria do îbad, do esforço pelo sustento lícito, da busca do conhecimento e dos cuidados familiares se isso não nos fosse possível. Assim, os muçulmanos são comissionados a administrar o seu tempo para que não se tornem escravos dele e não sejam negligentes, o que lhes causará dissabores e angústias nesta vida e na vida futura.

Esta reavaliação das nossas prioridades deve, pois, considerar acima de nossas vontades e caprichos as determinações de Allah e os exemplos de seu Mensageiro e dos Imames de sua linhagem. Quem assim o fizer terá realmente se firmado ao din, terá escolhido um fundamento sólido sobre o qual construirá seu bem estar nesta vida e no Akhirah.

A partir dessa profunda reavaliação de nossas prioridades e criado um ambiente islâmico no lar, o passo seguinte é a criação de nossos filhos com especial cuidado pela formação islâmica que proporcionaremos a eles. Nos fiéis ahadith encontramos várias recomendações detalhadas quanto a esse assunto e sua importância.

No Nahjul Balagh Imam Ali Amrul Muminin aborda o assunto dizendo: “OS DIREITOS DE UM FILHO SOBRE SEU PAI É QUE ELE DEVE LHE DAR UM BOM NOME , EDUCÁ-LO BEM E ENSINAR-LHE O ALCORÃO”.

Estes três pontos são de imenso valor na formação de uma identidade islâmica já na infância, os quais sendo efetivados serão uma marca indelével durante toda vida. Quanto ao nome em um outro hadith consta que o Mensageiro de Allah tenha dito que os melhores e mais amados nomes por Allah são os nomes dos profetas, e se tomarmos o digno exemplo de Ahlul Bait veremos que gozam de igual distinção os nomes de nossos amados Imames, dos valorosos mártires, homens e mulheres de alta estirpe espiritual que em nome do Islam doaram tudo de si, seus bens, seu sangue e suas vidas por amor a Allah. Por outro lado, é um lamentável fator que contribui para que se enfraqueça a identidade islâmica, que pais muçulmanos escolham nomes da moda, que se identifiquem com o paganismo, apenas por soarem bem.

A boa educação sob o ponto de vista islâmico é aquela que concorre para que a criança seja um indivíduo inclinado ao bem e aos princípios do din. Que o capacite para buscar seu quinhão na vida de modo honesto sem lesar ao próximo, e que cujos valores sejam sólidos, de respeito a todos e cada um e principalmente a si próprio.

O ensino do Alcorão é o tesouro inestimável que o pai lega a seus filhos, para que estes se guiem através de sua vida de modo a alcançarem a misericórdia nesta existência e a bem aventurança no dia do Juízo. Em outra tradição consta que além do ensino do Alcorão, o Mensageiro de Allah tenha recomendado que “UM PAI DEVE ENSINAR A SEU FILHO O AMOR AO PROFETA E AOS AHLUL BAIT”. Esta maravilhosa recomendação tem a abrangência completa deste din, a mais perfeita identidade islâmica; que melhor herança um pai pode legar a seu filho?

Na verdade, a sunnah autêntica do Mensageiro cuida da formação correta desta identidade islâmica desde o princípio. Imam Ali transmitiu a seguinte recomendação aos pais: “FAÇAM A CIRCUNCISÃO EM VOSSOS FILHOS VARÕES NO SÉTIMO DIA DE SEU NASCIMENTO E NÃO TEMAM PELO FRIO OU CALOR JÁ QUE ESTE ATO DÁ LIMPEZA AO CORPO.”

O Islam como senda divina, libertadora do ser humano das amarras da ignorância, aboliu todos os costumes discriminatórios e cruéis em relação as crianças do sexo feminino, costumes enraizados nas sociedades pagãs da época. O Alcorão reprovou todas essas práticas tribais que viam as filhas como um incômodo da natureza. O Islam nos ensina que o amor a nossas filhas e filhos e a correta formação deles, é um encargo pelo qual seremos inquiridos no dia do juízo. Nas tradições fiéis consta que o Mensageiro de Allah tenha dito: “HONRAI VOSSOS FILHOS E EDUCAI-OS BEM E SEREIS PERDOADOS POR MEIO DELES.”

E consta também que Imam Ali Ibn al Hussain tenha dito: “SEDE RESPONSÁVEIS COM RESPEITO A SEUS FILHOS POIS ELES LHES FORAM CONFIADOS PARA QUE LHES ENSINES BONS MODOS E PARA GUIÁ-LOS ATÉ SEU SENHOR”.

O amor do Mensageiro de Allah por sua filha SAYYDATNA FATIMA, foi o exemplo perfeito e acabado do que estamos a dizer. Não deixando nenhuma contra-argumentação aqueles que discriminam suas filhas, negando-lhes uma correta educação e a devida atenção sob o falso pretexto de tal comportamento ser “islâmico”. O Islam não só se opõe ao descaso para com a educação das filhas com também sistematiza essa educação, exigindo que seja o mais primorosa possível, considerando as peculiaridades da condição feminina, preparando-a para que se torne uma mulher muçulmana com todos os seus atributos éticos, morais e intelectuais.

O ENSINO DO SALLAH (Oração)

O ensino do Sallah ocupa posição especial na formação da identidade islâmica da criança, o método apropriado para que este ensino seja aplicado é detalhado nas tradições fiéis. Imam Báqir disse: “QUANDO A CRIANÇA ALCANÇAR 3 ANOS A ENSINE A DIZER 7 VEZES: LA ILÁHA ILLA LLAH, QUANDO ALCANÇAR 3 ANOS E 7 MESES A ENSINE: MOHAMMADUN RASULULLAH. QUANDO COMPLETAR 4 ANOS A ENSINE A DIZER: SALLALLAHU ALA MOHAMMADIN WA ALI MOHAMMAD”. QUANDO COMPLETAR 5 ANOS, A PERGUNTE QUAL É A MÃO DIREITA E QUAL É A ESQUERDA. QUANDO SOUBER, FAÇA-A VIRAR-SE PARA A QUIBLA E A ENSINE A PROSTRAÇÃO. QUANDO COMPLETAR 6 ANOS, A ENSINE O RUKÛ E A RECITAÇÃO. QUANDO COMPLETAR 7 ANOS, PEÇA PARA QUE LAVE AS MÃOS E A FACE E QUE ORE. AO ALCANÇAR A IDADE DE 9 ANOS, A ENSINE O WUDU E O SALLAH. QUANDO APRENDER PERFEITAMENTE ISSO, ALLAH PERDOARÁ OS PECADOS DE SEUS PAIS.”

Esta tradição fiel é uma autêntica aula de psicologia infantil, todas as particularidades da psique da criança em cada fase de seu crescimento são cuidadosamente consideradas, de modo a não sobrecarregá-la e para que haja uma perfeita assimilação de cada passo do Sallah.

Outra tradição sobre o tema é a que o Mensageiro de Allah (saaw) diz: “QUANDO VOSSO FILHO ALCANÇAR OS 7 ANOS ENSINAI-O O SALLAH E QUANDO ELE CHEGAR A IDADE DE 10 ANOS, ADMOESTAI-O SÉRIAMENTE PARA O CUMPRIMENTO DO MESMO E SEPARAI O LEITO DELE.” ( KANZUL UMMAL)

Aqui, um sério ponto é ressaltado, o qual diz respeito à disciplina quanto ao Sallah que deve ser cobrada pelos pais já aos dez anos, ainda que no caso do menino a idade de obrigatoriedade do Sallah segundo a jurisprudência esteja em torno dos quatorze anos (da menina essa obrigatoriedade é vigente a partir dos 9 anos). Esta recomendação encontra sua razão na importância do hábito estruturado já na fase de formação, na qual a criança está despertando para o conhecimento do bem e do mal, fase em que sua personalidade está desabrochando. Assim, o elo do Sallah cumpre um considerável papel no sentido de imprimir uma identidade islâmica à criança.

A QUESTÃO DO EXERCÍCIO DA AUTORIDADE

Um dos mais freqüentes questionamentos entre os pais é o exercício da autoridade e quanto a maneira que esta deve ser posta em prática. O Islam nos ensina que a autoridade em qualquer nível é um encargo a ser exercido com sabedoria e dentro dos limites estabelecidos por Allah. Sendo os filhos um desses encargos, dos quais seremos inquiridos no último dia, devemos aprender a exercer a autoridade para que produza o melhor. Nada de bom pode resultar da tirania e da opressão e do mesmo modo nada de bom pode resultar da autoridade que não se faz valer quando necessário. Nisto portanto, há a necessidade do equilíbrio e da justa avaliação de cada situação.

Um pai ou uma mãe deve ter por princípio o carinho, a busca da compreensão e a misericórdia para com a criança sem que com isso não perca de vista o objetivo de sua tarefa de pai: guiar o filho para o melhor (nesta vida e no akhirah). Se uma criança deseja algo que lhe trará o sofrimento imediato, a médio prazo ou na outra vida, o pai tem a obrigação de nega-lo e de tentar pelos meios que a situação exija, afastá-lo ou demovê-lo disso, eu digo “que a situação exija” para que tenhamos plena compreensão do que é justa avaliação. Se uma criança deseja atirar-se num rio sem que saiba nadar, qual o pai que se limitaria a dizer: “Não faça isso”, caso a criança já estivesse a beira do rio? Ora, um pai diante dessa situação se veria obrigado a usar da força para evitar que a criança se lançasse as águas. Assim, a justa avaliação da situação quando esta se apresenta é que determina ao pai o modo em que fará valer sua autoridade, para o bem estar da criança.

Entretanto, a autoridade exercida a partir de um conceito mútuo de respeito e de carinho conta com muitas formas de se fazer valer. Uma criança educada desde a mais tenra idade num ambiente realmente islâmico tem todas as condições básicas para uma natural inclinação ao bem e a obediência aos pais. Ela não terá nos pais inimigos nem opressores, (contra quais toda criança por natureza sente-se inclinada a rebelar-se) nem se sentirá privada da atenção deles, (o que gera na criança um comportamento caprichoso).

É preciso que os pais saibam aplicar a disciplina sempre considerando as limitações de uma criança, auxiliando-a para o que for melhor a ela, sem tornar isso uma dura imposição que a oprima. Seja no que se refere ao din ou nas demais atividades o papel dos pais é ensinar a criança a amar o que é bom, não compeli-la. Ninguém jamais amará aquilo para o qual é compelido sem que compreenda a razão e o valor disso.

Disse o Mensageiro de Allah: “A MISERICÓRDIA DE ALLAH É COM AQUELE QUE AJUDA SEU FILHO NO CORRETO. ENCARREGANDO-O DO QUE É FÁCIL E AGRADÁVEL, EVITANDO O QUE É DURO PARA ELE, NÃO O SOBRECARREGANDO E NEM LHE PEDINDO O INCOMUM OU O EXCESSIVO”.

O exercício da autoridade dos pais conta com maiores chances de sucesso enquanto essa autoridade se sustente num bom conceito que os filhos tenham de seus pais. Novamente o exemplo surge e se afirma como fator determinante.

No caso específico do Sallah, é natural que crianças que cresçam vendo seus pais observando esse pilar do Islam em seus devidos horários com cotidiana assiduidade, não terão dificuldade em assimilá-lo como um hábito e se manterão firmes a isso quando crescerem.

É evidente que os pais no exercício da autoridade devem estar preparados para as situações nas quais é requerido deles um maior senso de análise. Muitas vezes, se o diálogo não é suficiente para que a criança obedeça, os pais podem se ver na necessidade de privá-la de algo que lhe agrade até que emende seu comportamento. Apenas nas situações em que tudo já tenha sido tentado e que o mau comportamento persista, mesmo quando a criança tenha sido admoestada e privada do que lhe agrada, os pais devem recorrer a força dentro dos princípios da Shariah (que o castigo físico não seja cruel e nem deixe marcas na criança). Considerando que a criança já tenha idade suficiente para compreender o por que está sendo castigada.

Diante de uma possível negligência do Sallah (a partir da idade de 10 anos ) e recomendado que os pais se mantenham admoestando a criança (e mesmo privando-a daquilo que mais gosta) até que alcance a puberdade ou até quando já responsável por seus atos ela mesmo decida o caminho a seguir. O que é inaceitável diante dessa negligência ou de qualquer mau comportamento moral que a criança apresente, é que os pais se omitam de exercer sua autoridade.

Todos esses problemas podem ser evitados se desde muito cedo a criança for condicionada a uma disciplina suave, porém constante em que o tempo seja administrado de modo racional. Havendo um tempo para o estudo, um tempo para as atividades de lazer, um tempo para a ajuda nas tarefas da casa e um tempo para o îbad e o aprendizado do din. Esta suave disciplina deve incutir pouco a pouco na criança um senso de responsabilidade e deve também respeitar seus direitos.

A FASE ESCOLAR, UM DESAFIO À EDUCAÇÃO ISLÂMICA

Todo o processo educacional islâmico que se inicia na família num país não-muçulmano, se defronta com este imenso desafio que é a fase escolar. Diante da quase inexistência de escolas islâmicas no país os pais muçulmanos se vêem obrigados a matricular seus filhos em escolas da rede pública e particular expondo-os a um profundo choque cultural e religioso. Este problema não poderá ser equacionado senão pela mobilização séria da comunidade islâmica no sentido de dentro do prazo mais rápido possível, criar uma rede de centros educacionais e escolas de primeiro e segundo grau. Enquanto as entidades islâmicas existentes se mantiverem com a atual mentalidade, pouco ou nada avançaremos. Lembremos, porém, que as entidades são um reflexo da comunidade, ou mudamos e reavaliamos nossas prioridades, ou abandonamos nossa inércia prática e nos organizamos para o que é realmente importante (deixando de lado o que é supérfluo) ou continuaremos nessa atual condição.

Partindo da realidade atual o que pode ser feito por uma família islâmica para enfrentar esse desafio? Ainda que seja muito pouco, esse pouco pode significar muito para a preservação da identidade islâmica da criança. Eis algumas medidas que estão ao alcance dos pais:

- Se o lar preserva um ambiente islâmico (do modo aqui exposto) as chances de um eventual desvirtuamento da educação da criança diminui.A própria integridade familiar ao Islam é a melhor forma de assegurar a integridade da criança em semelhante situação.

- Concomitante ao estudo regular, os pais devem manter em casa o ensino do din e um costumeiro diálogo com a criança esclarecendo suas dúvidas e orientando-a quanto ao trato e o relacionamento com os professores e colegas e sobre a sua condição de muçulmano frente a possíveis problemas que possam surgir.

- Os pais devem se manter informados do dia a dia da criança na escola, e se verificarem algum problema ou discriminação contra ela ou contra sua religião. Devem procurar primeiro a direção do colégio e buscar pelo diálogo solucionar a questão, se o problema envolver discriminação e a diretoria não tomar nenhuma atitude, devem procurar seus direitos legais por que a lei brasileira faculta o direito de livre escolha e expressão religiosa.

Observamos ainda que os pais devem escolher com cuidado o colégio de seus filhos, evitando matriculá-los em colégios evangélicos (que de modo geral são ligados aos sionistas) onde ocorrem com mais freqüência problemas de discriminação aos muçulmanos e ao Islam.

Ao contrário do que muitos de maneira irrefletida ensinam, a realidade atual enfrentada pelos muçulmanos em países como o Brasil exige que não sigamos os costumes tradicionais dos países islâmicos onde o levar as crianças as mesquitas não é incentivado e mesmo visto como algo inconveniente. Falta aos críticos que se opõem ao costume de incentivar a ida das crianças á mesquita, uma total perspectiva da realidade que temos diante de nós. Nossos filhos não amarão o Islam numa sociedade como esta, se desde cedo não aprenderem a ver a mesquita como seu segundo lar. As entidades islâmicas mantém sua cômoda inércia simplesmente apontando problemas e nada fazendo para solucioná-los. Todas elas deveriam manter alguma atividade de ensino do din e de convívio social voltada para as crianças (e muito poucas o fazem). Parece que os conselhos e as práticas de muitos dos chamados sábios tem mais contribuído para esvaziar as mesquitas do que enchê-las, mais para promover a aversão ao Islam do que o amor por ele. Não podemos cegamente aplicar os costumes tradicionais sem analisarmos as circunstâncias de cada país, a época e cultura, essa é uma atitude ignara, a antítese do Islam.

Se as mesquitas e as entidades islâmicas não se proporem a ser núcleos de vida comunitária para integrar os muçulmanos e suas famílias (esposas e filhos), continuaremos muito longe de uma verdadeira identidade islâmica.

Há uma grande carência da participação da mulher muçulmana, na formação de departamentos femininos bem estruturados para receber as esposas de muçulmanos recém-convertidos. Esta é uma questão de grande importância relacionada ao trabalho de dâwah. É uma lacuna a ser preenchida com urgência.

Uma solução para muitos dos problemas aqui apontados, no que se refere aos muçulmanos de origem brasileira (recém-convertidos), é a formação de núcleos e centros islâmicos dirigidos com uma mentalidade adaptada a realidade dos brasileiros. Entidades não direcionadas aos interesses da colônia árabe aqui estabelecida.

Este é um trabalho a ser desempenhado pelos próprios brasileiros que abraçaram o Islam. Não para estabelecer divisões, como muitos injustamente afirmam, mas para atender a necessidade das famílias brasileiras. O projeto de comunidade islâmica em nosso país exige esta medida como um estágio natural do crescimento do Islam .

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“O crente precisa da ajuda de Deus, o Altíssimo, de um admoestador para si mesmo,
e da aceitação de quem o aconselhou.”  Imam Mohammad al-Jawad (A.S.)


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