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A Observância do Taqlid
O Ayyatullah Assayed Mohammad Hussein Fadlullah responde a variadas questões ligadas a observância do Taqlid.

Por: Ayyatullah Mohammad Hussein Fadlullah
Tradução: Ahmed Ismail


Em nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso.

Introdução

O termo Taqlid utilizado na matéria de Jurisprudência Islâmica pode ser traduzido como “o seguir o exemplo” ou “adotar a orientação” de um capacitado Mujtahid (sábio jurisprudente) na prática e nos pormenores dos preceitos do Din.

O fiqh Já’fari (xia’h) destaca a importância da observância do Taqlid por parte de todos os muçulmanos que não sejam devidamente capacitados para exercer o Ijtihad (a aptidão para deduzir a aplicação dos princípios islâmicos).

Neste trabalho o eminente Ayyatullah Mohammad Husein Fadlullah responde questões concernentes ao exercício do taqlid e seus detalhes.

1- Se não houver nenhum Mujtahid ou autoridade religiosa em uma certa época, qual será a obrigação dos fiéis muçulmanos ?

R. Sob tais condições, uma pessoa deve recorrer ao Ihtiyat (princípio da precaução). Se ela não puder agir de acordo com este princípio, deverá agir de uma maneira que seja mais próxima possível ao que as circunstâncias exigem.

2- Se um muçulmano tem uma dúvida para a qual ele não possa obter um Fatwa (parecer) de seu Mujtahid, será permissível a ele recorrer a outro Mujtahid por algum tempo?

R. Sim. É permissível.

3- Como um indivíduo realiza o Taqlid? É aderindo ao Taqlid de um certo Mujtahid, ou deve alguém praticar os preceitos quer seja sem considerar a prioridade do taqlid ou seguindo-o?

R. O Taqlid, de modo convencional, é aderência ao Fatwa de um Mujtahid.

4- Se uma pessoa deseja agir de acordo com o Princípio de Precaução; alguns sábios dizem que uma pessoa deve seguir um Mujtahid no próprio princípio de Precaução e eles dividem os muçulmanos em 3 categorias: Mujtahid, Muqallid (os que seguem os primeiros) e Muhtat (alguém que age de acordo com os princípios de precaução). Em razão disso, dizem que uma pessoa deve seguir a precaução em todas as circunstâncias contradizendo a citada categorização. Como alguém pode superar esta contradição?

R. Desde que Ihtiyat (Precaução) para aqueles que são capacitados tanto para o Ijtihad ou Taqlid, é uma polêmica questão teórica, uma pessoa deve obter Prova para recorrer ao princípio de Precaução seja por meio de Taqlid ou Ijtihad. Quanto a categorização citada, se aplica apenas para uma prática divisão detalhada das obrigações religiosas, mas não como um princípio de obrigação religiosa em si.

5. Pode alguém ser um Mujtahid em campos específicos apenas?

R. Não há qualquer restrição a um Ijtihad parcial, desde que isso envolva possuir a aptidão intelectual e também um profundo conhecimento da matéria sobre a qual se trata. Entretanto, o Ijtihad por sua própria natureza é indivisível, em razão que ele representa a capacidade intelectual de deduzir julgamentos através de uma abrangente compreensão dos fundamentos. De maneira que se todas as aptidões (em todos os campos) estejam disponíveis então essa pessoa estará perfeitamente apta para exercer o Ijtihad.

6. É lícito adotar o Taqlid em relação a um Mujtahid falecido?

R. Sim. Entretanto, é uma compulsória precaução observar o Taqlid para um Mujtahid vivo.

7. É aceitável seguir um Mujtahid em um certo grupo de questões e seguir um outro Mujtahid em outras?

R. É lícito seguir um Mujtahid em qualquer questão em que ele possua as condições requeridas para o Taqlid.

8. É obrigatório continuar a seguir um Mujtahid falecido, se ele foi mais sábio do que um que ainda viva?

R. É uma questão de precaução fazer isso, baseado na premissa que seguir o mais sábio está fundamentado no Ihtyiat. Contudo, a permissibilidade de seguir um Mujtahid vivo é mais favorável.

9. Podemos dizer que uma autoridade religiosa seja mais sábia em um certo campo e outra o seja em um outro determinado campo?

R. Sim, já que alguém possa ter uma melhor compreensão dos versículos sagrados e das tradições nos campos que são mais concernentes a eles, enquanto outra possa ter mais conhecimento do mecanismo da jurisprudência.

10. Quem são as pessoas capacitadas a identificar uma Autoridade Religiosa e quais são os requisitos que devem preencher para tal?

R. Essas pessoas devem possuir conhecimento suficiente no campo da jurisprudência e de seus fundamentos para distinguir entre vários indivíduos, considerando suas aptidões para deduzir fatwas, ou serem os mais eruditos. Contudo, não é requerido deles que sejam eles próprios, mujtahids. É suficiente que possuam faculdade intelectual que os capacite para avaliar os demais.

11. Consenso é um dos métodos para deduzir se as condições requeridas ao Mujtahid são satisfatoriamente cumpridas. Qual o significado deste termo?

R. Uma pessoa deve recorrer ao Consenso (Ijmâ) quando este conta com os meios para verificar os fatos, quer seja o consenso entre os sábios apenas, ou entre o público em geral.

12. É aceitável adotar o Taqlid em relação a uma mulher, especialmente se ela é a mais sábia?

R. Sim. Já que o Taqlid está baseado em recorrer àqueles que possuem conhecimento, não importando o seu sexo.

13. Quais são as condições que devem existir em um Mujtahid para que seja permitido segui-lo?

R. As condições são a aptidão e a prática do Ijtihad, a virtude (moral). Além disso, é um princípio de precaução que o Mujtahid seja nascido de um casamento legítimo (paternidade conhecida) e que seja um homem livre.

14. Qual o significado do termo “o mais erudito”?

R. Significa que um certo mujtahid é o mais capacitado para deduzir regulamentos, em vista de ser mais conhecedor do Alcorão e da Sunnah, e na autenticidade de seus princípios idiomáticos e em acordo aos fundamentos de jurisprudência. Em adição a isso, ele deve aceder (em suas deduções) com as aspirações gerais do Islam.

15. Se as respostas de um Mujtahid para uma certa dúvida variam, o que deve o Muqallid (a pessoa que segue o taqlid de um Mujtahid) fazer?

R. É essencial seguir o princípio de precaução até que se obtenha o definitivo veredicto de um Mujtahid ,ou se possa recorrer a um outro Mujtahid, se não for possível obter a resposta de seu próprio Mujtahid em tempo.

16. Se as decisões de um movimento ou partido islâmico que alguém faça parte, contradizerem as posições de seu Mujtahid, o que deve ele fazer?

R. Não é obrigatório para uma pessoa quer seja um ativista ou não, seguir seu Mujtahid no que diz respeito aos assuntos dos governos, assim, a pessoa pode discordar com seu Mujtahid em política ou questões sociais e de segurança. Entretanto, se os pontos de vista do Mujtahid sejam relativos aos preceitos islâmicos, então a pessoa deve seguir seu Mujtahid.

17. A diferença de opinião entre juristas pode algumas vezes levar a pareceres divergentes sobre a mesma questão, enquanto a lei de Allah concernente a cada questão é apenas uma. Como podemos interpretar esta aparente contradição?

R. Não obstante a lei de Allah seja única, a divergência de opinião dos juristas é resultante de suas várias metodologias para compreender a Lei divina.

18. É lícito recorrer a um Mujtahid que possua julgamentos em limitados campos da jurisprudência? Seus julgamentos são obrigatórios mesmo com a presença de um mais erudito?

R. É absolutamente lícito fazê-lo. E quanto aos julgamentos legais eles são obrigatórios mesmo se ele não for o mais erudito porque não é requerido em um julgamento que seja o mais erudito. De fato, é suficiente que seja um Mujtahid justo.

19. Qual a diferença entre o Jurista Mujtahid e o Governante Mujtahid?

R. O primeiro emite julgamentos em questões que são sujeitas ao Taqlid, enquanto o segundo trata dos assuntos relacionados à administração dos interesses gerais da comunidade e a manutenção da ordem.

20. Qual o significado de Wilayat al Faqíh e quais são os limites de sua autoridade?

R. Wilayat al faqíh significa que o jurista possui autoridade para administrar os assuntos privados e públicos. Em nossa opinião os limites de sua autoridade encontram-se na preservação política, econômica, social e securitária, e outros aspectos da vida dos muçulmanos.

21. É a convocação para o Jihad restrita a um Imam Infalível ou um jurista justo é autorizado a fazê-la?

R. Jihad não está relacionado a presença de um Imam infalível, um mujtahid justo pode convocar ao Jihad se há a necessidade disso.

22. São os requisitos de um Mujtahid os mesmos para os governantes mujtahids?

R. A aptidão para deduzir leis e o conhecimento das leis como também das circunstâncias é suficiente para o Mujtahid que emite Fatwas. Alguns podem exigir que tal pessoa seja “o mais erudito” para que outros adotem seus veredictos. Quanto ao governante mujtahid, ele deve ser conhecedor da realidade, de sua época e de seu povo. Muito embora a característica do Mais Erudito não seja requerida dele para que mereça ser seguido.

23. O senhor acredita na pluralidade dos juristas governantes no sentido de que, qualquer um que possua todos os requisitos alcance o nível de governante ou que deva apenas um ser jurista governante?

R. A evidência aponta para que o Mujtahid Governante como um representante do Imam infalível necessite da pluralidade dos juristas governantes, de maneira que cada região tenha seu próprio jurista governante. Entretanto, se um jurista que possua todos os requisitos e esteja capacitado a estender sua autoridade para o mundo, tendo completo controle das rédeas, ou se o interesse geral requer a existência de um jurista governante, torna-se proibido para outros juristas reivindicarem autoridade e eles devem aderir a seu governo.

24. A questão da autoridade geral de um Jurista é uma matéria concernente ao Taqlid de modo que a aderência a isso dependa da opinião daquele que é seguido?

R. Esta é uma das questões secundárias que são apresentadas àqueles que são seguidos. Não é um “fundamento” da fé.

Nota explicativa do tradutor: É plenamente aceito pelos juristas da escola Jafari que o Imam Justo, possuidor de todos os requisitos para este encargo, é um representante autêntico dos Imames infalíveis dos Ahlul Bait (as), a quem é devida autoridade e fidelidade pelo conjunto dos muçulmanos. No denominado período da Ausência, que se prolongará até o ressurgimento do Imam Mahdi (as), que Allah apresse sua volta, é compulsório para os muçulmanos que sigam os mais sábios (capacitados para o exercício do Ijtihad) e que obedeçam aos Imames Justos escolhidos dentre estes nos assuntos referentes aos interesses gerais dos muçulmanos.

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“Deixo convosco duas preciosidades, o livro de Deus e os meus Ahlul Bait.” Profeta Mohammad (S.A.A.S.)


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