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InformaçãoArtigos e MateriasProfeta Mohammad (S.A.A.S.)
Uma Análise Crítica Sobre Mohammad (S.A.A.S.)
Resta-nos recordar que um homem do deserto, há 1400 anos, sozinho, deu início a essa revolução, o que por si só é um fato extraordinário sem paralelos na história humana.

Por: Ahmed Ismail

Poucos personagens influíram tanto na história da humanidade como o Profeta do Islam. Pesquisadores imparciais, teólogos cristãos, opositores abertos ao Islam, eruditos e orientalistas muito têm escrito e dito sobre esse homem. Este trabalho aborda e analisa os argumentos e críticas com profundidade, à luz da razão e dos fatos históricos, para determinar até que ponto é relevante o pensamento ocidental clássico a respeito do Profeta do Islam. Esta análise vai ao encontro do crescente movimento de sua aceitação por parte dos pensadores ocidentais modernos e o próprio crescimento do Islam no mundo atual.

UMA ANÁLISE HISTÓRICA

Todas as abordagens críticas do ocidente sobre o Profeta e o Islam se desenvolveram numa atmosfera de conflito cultural e territorial e na conseqüente animosidade entre o mundo cristão e o mundo islâmico.

A cultura ocidental, ainda que com origens e raízes orientais, formou-se principalmente, sobre dois elementos que se afirmaram aos demais: A cultura greco-romana e a fé católica. Essa nova civilização em seu estabelecimento e avanço deparou-se com um forte obstáculo: O Mundo islâmico. Este, apresentava-se como um obstáculo, uma vez que contava com uma cultura avançada e profundamente assentada em crenças e valores espirituais e que devido a sua consistência, não seria facilmente assimilada ou destruída. Mais do que sua força militar de resistência a invasão, a civilização islâmica contava com esta identidade cultural e religiosa fortemente enraizada. E tudo isso se concentrava na figura de um homem, que em apenas 23 anos havia promovido uma revolução no pensamento humano e na história do mundo, edificado uma nova civilização unindo tribos antes rivais em torno de uma fé única, revolucionando os costumes, a cultura e a organização política e social.

Diante de tão desafiadora mensagem que se afirmava como a Essência Monoteísta, negando os dogmas da Igreja de Roma, o dilema se centrava na reivindicação da profecia divina de Mohammad (S.A.A.S.).

Podemos classificar este primeiro momento como a era da polêmica na qual a Igreja, ponta de lança do poder ocidental, que se colocava como a Única e verdadeira Igreja, porta-voz de Deus na terra e detentora do poder terreno e espiritual, empregou esforços na tentativa de detratar o Profeta do Islam e sua mensagem. Escritores deste período, fortemente influenciados pelo pensamento oficial da igreja, inspirados não por um sentimento científico de busca da verdade, mas sim por um fanatismo cego, deram início a uma cruzada no mundo das idéias (tão feroz quanto a cruzada militar para tomar a terra santa dos “bárbaros infiéis”). A visão maniqueísta destes, representava o bem, a luz e a vontade divina como sendo a Igreja de Roma e o mundo cristão e o mal, as trevas e os inimigos de Cristo, o Islam e as hordas de mouros.

Todos os vilipêndios foram usados por estes escritores para imprimir na consciência das massas o ódio, o desprezo e a aversão aos mouros e também aos Judeus. O famoso Luzíadas de Camões retrata os muçulmanos como os ensandecidos seguidores do “abominável Mafoma” (como era conhecido Mohammad entre os ibéricos).

Os cruzados inspirados por esta visão fanática avançaram sobre o mundo islâmico dispostos a libertar as terras santas das mãos dos “pagãos”. Quando da invasão de Jerusalém, promoveram um terrível massacre. Escritores ocidentais que presenciaram este fato o descreveram com crueza de detalhes: as crianças e as mulheres foram passadas ao fio da espada, por todas as ruas cabeças, pés e mãos decepadas, os judeus (que eram protegidos pelo governo islâmico) foram incinerados dentro das sinagogas. Os revezes posteriores e a reação islâmica apenas serviram para aprofundar essa visão, o embate e os ressentimentos mútuos por séculos quase não permitiu nenhum diálogo.

Finalmente, o ocidente conseguiu ao menos defender seus limites e expulsar os muçulmanos da península ibérica. O que parecia uma vitória, na verdade, foi mais uma constatação de que pela força das armas não seria possível destruir o mundo islâmico, e mesmo o cego fanatismo que até aquele momento havia inspirado o ódio e o preconceito ao Islam já se mostrava superado.

Com o advento do renascença o pensamento ocidental se libertou de modo gradativo da influência e do obscurantismo da igreja. Com isso, alguns escritores e intelectuais e filósofos começaram a ver no mundo islâmico elevados valores culturais, éticos e humanistas e a Mohammad (S.A.A.S.) como um homem de qualidades morais inegáveis. Ainda que, houvesse igualmente pensadores e escritores de alto quilate que, ainda influenciados pelo pensamento medieval, reproduzissem em suas obras os preconceitos mais absurdos contra a figura de Mohammad, o Islam e os muçulmanos.

Nos séculos seguintes os orientalistas aprofundaram esta nova visão. Parte deles evidenciou o legado cultural e científico da civilização islâmica. Não obstante, os preconceitos e o desconhecimento do Islam e de seu Profeta perduraram imprimidos no inconsciente coletivo do homem ocidental.

A ruptura cultural do passado só começou a ser resolvida nos últimos dois séculos, com o maior contato dos colonizadores europeus e a rápida expansão do Islam no mundo.

UMA ANÁLISE CRÍTICA

A análise crítica dos pesquisadores imparciais e dos opositores ao Islam se estabeleceu sobre algumas questões fundamentais sobre o Profeta do Islam.

A QUESTÃO DA PROFECIA

A autenticidade da condição profética reivindicada por Mohammad se tornou o objeto de análise de muitos orientalistas. É um fundamento da fé islâmica que Mohammad (S.A.A.S.) foi enviado por Allah (Deus) à humanidade, sendo o último dos profetas e a ele tenha sido divinamente revelado o Alcorão por intermédio do arcanjo Gabriel. Sendo pois, esta mensagem de origem integralmente divina, não havendo nela uma única letra de autoria do Profeta (S.A.A.S.). Críticos e opositores refutam este fundamento de fé. Segundo estes, três abordagens se desenvolveram:

1 - Um grupo deles reconhece que Mohammad foi um homem de elevada moral e sincera devoção e que “ele produziu” os versículos do Alcorão como um código de conduta e fé para os seus seguidores.

A razão rejeita tal hipótese e ela a si mesma se anula. Ora, se o Profeta, sendo de elevada moral e sincera devoção como reconhecem, como então reinvidicaria para si a profecia, atribuindo a Deus suas próprias palavras? Neste caso seria um falso profeta, desprovido de valor moral e sinceridade.

2 - Um segundo grupo vai mais além nesta crítica, segundo estes o Islam seria uma variante originada da mescla do judaísmo e do cristianismo, e que Mohammad teria se instruído sobre estas crenças durante suas viagens e então posteriormente tenha formulado o Islam.

Esta teoria se desenvolveu sobre meras suposições pessoais, pois não há historicamente nenhuma evidência em que se apóie, nenhum dos críticos aderentes a esta teoria pôde apresentar qualquer evidência ou mesmo um indício sequer. De imediato, a razão coloca 3 questões que descartam essa suposição:

a) a questão cultural: historicamente é sabido e aceito por todos os estudiosos que Mohammad foi um homem iletrado. Esta ausência de uma educação formal o incapacitava seja a formular um sistema religioso tão complexo e muito menos de produzir um livro como o Alcorão.

b) A questão ambiental: Mohammad nasceu e viveu numa sociedade pagã, alijada das tradições religiosas acima citadas, havia na região pequenas e isoladas comunidades cristãs e judaicas. A influência do paganismo era determinante entre as tribos árabes. Aos 12 anos ele viajou com seu tio á Síria, mas como aceitar que uma criança durante esta viagem pudesse aprender os altos conceitos teológicos que naquela época eram de exclusivo conhecimento dos monges e rabinos? A sua segunda viagem foi liderando uma caravana comercial aos 25 anos. Suponhamos que ele tivesse contactado eruditos cristãos ou judeus, dificilmente isso o teria capacitado para inventar um livro de tal magnitude como o Alcorão que, como veremos não é uma cópia de texto algum (se fosse cópia não negaria os dogmas dessas crenças). O abundante material histórico sobre sua biografia, resultado de extensa pesquisa inclusive de muitos críticos e opositores, não possibilitou encontrar “uma só personagem” que possa ter sido seu instrutor. É evidente que seus detratores sempre se empenharam nas tentativas de forjar fatos que apontassem uma possível “prova” a autoria humana do Alcorão (seja atribuindo-o ao Profeta ou a algum dos seus colaboradores) porém, tais “provas” foram sempre rejeitadas pelos pesquisadores sérios do ocidente e do oriente.

c) A questão dos paralelos: A suposição dos opositores em atribuir a origem do Alcorão na Bíblia e na Torah sempre se choca com a constatação que muito embora existam similaridades entre os 3 livros citados eles não são iguais. Como sabemos há similaridades entre o cristianismo e o judaísmo mas isto não é suficiente para se suspeitar que Jesus não tenha sido um verdadeiro profeta, e que tenha simplesmente copiado sua mensagem da Torah. Acaso, as similaridades entre os ensinamentos do judaísmo e outras antigas religiões como o Zoroastrismo é suficiente para que se suspeite que Moisés, Abraão e outros profetas bíblicos tenham sido falsos profetas e que tenham copiado seus ensinamentos de fontes persas? Se tais suspeitas são absurdas quanto ao judaísmo e o cristianismo também o são quanto ao Islam. Ainda que em essência o Alcorão possua similaridades conceituais com a Torah e o Evangelho, nele não há lugar para diversos dogmas e crenças constantes nestes textos. Se o Alcorão fosse uma cópia ele não negaria os princípios básicos dos dogmas cristão e judeu, seria uma reafirmação de tais dogmas. As similaridades existentes se devem ao fato de que essas 3 revelações procederam de uma mesma fonte (Deus) e se fundamentam no Monoteísmo Original, predicado por todos os enviados de Deus.

3 - Um terceiro grupo afirma que o Profeta (S.A.A.S.) embora sincero e devoto, “Imaginou” ter ouvido o anjo, ou sofria de delírios místicos resultantes de alguma doença mental. Esta suposição é absolutamente estúpida, quando não má intencionada. Com tal empenho os fanáticos teólogos da Igreja propagaram esta tolice, que mesmo autores de inegável grandeza como Dostoiévisk, a reproduziram em suas obras.

Se fosse considerada essa hipótese teríamos que atribuir o mesmo a Moisés ou a Abraão e Jesus pois não há nenhuma prova que nos habilite a afirmar que a profecia em todos esses casos não fosse um estado de alucinação.

A própria biografia do Profeta (S.A.A.S.) demonstra que não há nenhuma evidência histórica para essa suposição. Ele foi um homem normal, constituiu família, teve uma vida produtiva, gozou de plena saúde, liderou seu povo com incomum maestria, foi diplomata bastante hábil e revelou-se um exímio estrategista nas campanhas militares. Como levantar dúvidas sobre a sanidade mental desse homem?

A POLÊMICA QUANTO A ORIGEM DIVINA DO ALCORÃO

Os orientalistas, que a partir do séc. XVIII iniciaram pesquisas sobre as tradições religiosas do oriente não estavam de todo livres do pensamento imperialista europeu. A maioria deles se limitou a traçar paralelos entre o cristianismo e o budismo, ou um estudo comparativo que em geral “concluía”, não obstante reconhecesse valores e ideais humanistas nas religiões orientais, a superioridade do cristianismo ocidental sobre todas as demais tradições religiosas. Entretanto, no caso específico do Islam, com raras exceções, estes estudiosos partiram do pressuposto de que Mohammad teria sido o autor do Alcorão, portanto, por princípio “negavam a origem divina do Alcorão e o status de profeta a Mohammad. Poderia realmente Mohammad ser o autor do Alcorão?

Seja qual tenha sido as intenções dos defensores de tal teoria, cabe-nos pelo zelo da busca da verdade pela razão e pelos fatos, analisar cuidadosamente todas as possibilidades. Quem quer que queira provar que Mohammad ou qualquer outro ser humano tenha sido o autor do Alcorão, deparar-se-á de imediato com dois obstáculos colocados pela razão:

1 - A profunda complexidade lingüística e temática do texto alcorânico que desafia os eruditos do idioma árabe em todos os tempos é o primeiro obstáculo racional. A possibilidade de um homem iletrado compor um texto tão complexo e preciso (desafio que o próprio Alcorão lança aos eruditos) é semelhante a possibilidade de um aborígene australiano produzir uma teoria como a da relatividade ou criar um computador de última geração. Os temas e as afirmações constantes no Alcorão abrangem todas as áreas do conhecimento humano com propriedade, desde a psicologia, a história antiga até a política e a economia, a medicina e as leis naturais que regem o universo.

2 - As verdades científicas declaradas no Alcorão, muitas das quais só foram descobertas e comprovadas nos últimos dois séculos, são determinantes no sentido de apagar quaisquer dúvidas sobre a impossibilidade de autoria humana desse texto. Como, sinceramente, seria possível a um homem iletrado, pertencente a um povo e uma sociedade tribal, visivelmente mais atrasada do que as demais civilizações da época, um homem que só conhecia o deserto e seu ofício declarar verdades científicas sobre o corpo humano, o cosmos, os ciclos naturais do planeta e as conexões entre tudo isso, desconhecidas até duas ou três gerações atrás?

A precisão destas declarações alcorânicas despertou o interesse de vários cientistas e mesmo a conversão de alguns deles. Maurice Bucalle, em sua obra “A Bíblia, o Alcorão e a Ciência” escreve: “Como é possível um homem iletrado tornar-se o autor mais importante em termos de mérito literário em toda a literatura árabe? Como pode ele pronunciar da natureza científica o que nenhum outro ser poderia produzir naquela altura, e tudo sem um único engano?”

Diante da impossibilidade de autoria humana do Alcorão, resta ainda a suposição de alguns opositores motivados por um indisfarçável fanatismo sectário, teólogos cristãos ávidos em detratar tudo o que contraria suas crenças: A suposição de que Mohammad teria sido inspirado pelo demônio. É óbvio que os pesquisadores sérios jamais consideraram tão despropositada teoria. Estes opositores sempre dedicaram boa parte do seu tempo em tentar provar que todas as tradições religiosas são obras do diabo menos o cristianismo, ou melhor a seita cristã que pertenciam. Como o nosso objetivo é analisar á luz da razão todas as críticas mesmo as mais absurdas, consideremos pois esta, pelo objetivo da pesquisa, não por alguma consideração aos opositores desta cepa.

É ponto pacífico entre os teólogos sejam muçulmanos, judeus ou cristãos que o demônio é por excelência o propagador da corrupção e da idolatria e que o seu aprazimento é ver o homem negando a seu Criador e escravizado aos pecados e aos vícios. Sendo assim, como o demônio inspiraria um homem a compor um livro que afirmasse a adoração a Deus, único, o abandono de toda forma de idolatria e politeísmo, a obediência a seu Criador, a justiça, o bem, a reverência a todos os profetas, a fé convicta no dia do juízo, na existência do paraíso e do inferno, a caridade, o perdão, o apego a verdade, a oração, o jejum, bem como o abandono da imoralidade e da corrupção e de tudo que Deus tenha ordenado como ilícito, da opressão e do crime, da mentira e da hipocrisia?

Como Satã inspiraria todas as coisas que lhe são detestáveis, como ordenaria “adotar a fé de Abraão” como poderia ele, o inimigo da verdade originar uma mensagem cuja fé é a conduta e a conduta é a fé, destruindo a hipocrisia do mesmo modo que Moisés e Jesus se empenharam em fazer? Como ele, que se apraz com o mal e a corrupção inspiraria uma fé que se implantada na terra garantiria os direitos de todos e de cada um, refrearia o crime e a imoralidade e todas as outras doenças sociais de modo que jamais o mundo cristão conseguiu fazer? Assim, é tão descabida a teoria de inspiração diabólica para explicar a profecia de Mohammad e o Alcorão quanto a teoria de que tenha sido ele o autor do Livro a ele revelado.

Como sabemos os falsos profetas anseiam por riquezas e poder mundano e todos os prazeres e privilégios resultantes disso, e em muitos casos deixam atrás de si uma história vergonhosa no sentido moral. As seitas que fundam desaparecem logo após sua morte ou permanecem marcadas pela farsa e os abusos para com seus seguidores. As suas profecias com o tempo demonstram-se erradas e na maioria das vezes seus nomes são esquecidos da história. Antes de sua missão profética Mohammad (S.A.A.S.) não tinha problemas financeiros, casou-se jovem com Khadija (A.S.) uma mulher abastada; E sendo um mercador vivia com estabilidade. Quando aos 40 anos iniciou sua missão, sofreu em razão disso grandes vicissitudes e privações. Seus perseguidores, os poderosos de Makka, impuseram sobre ele e seus seguidores toda sorte de opressão, confiscaram seus bens e os expulsaram de suas casas. Inúmeros relatos asseguram que Mohammad (S.A.A.S.) e sua família viveram desde então em enorme pobreza, mesmo quando os muçulmanos foram vitoriosos e o tesouro público estava á sua disposição.

Há um provérbio oriental que diz que o melhor retrato de um homem e de sua vida é a hora de sua morte. Quando esta chegou ao Santo Profeta (S.A.A.S.) encontrou-o sem bens, não morava num palácio mas sim num humilde casebre, o homem que se tornou o líder de um povo e que iniciou uma nova civilização, ao morrer possuía apenas a roupa do corpo, uma montaria, pequenos pertences e um escudo (que segundo relatos estava empenhado para pagar uma dívida). O desejo de poder é usualmente associado com boas comidas, roupas, casas, palácios monumentais, escoltas imperiais. E, no entanto, apesar de suas responsabilidades como líder, estadista, mestre e juiz de seu povo, o Profeta do Islam (S.A.A.S.) remendava suas poucas roupas, seus calçados e auxiliava nas tarefas caseiras. Sentava-se no chão, comia com as mãos, caminhava sem guardas, não permitia que se levantassem a sua chegada, falava com todos do mesmo modo, comia nas casas dos pobres.

Uma vez viajando com alguns companheiros, no momento de preparar a refeição as tarefas foram divididas e Mohammad sugeriu se encarregar de coletar lenha. Seus companheiros disseram-lhe que poderiam fazer isso para ele. O Profeta (S.A.A.S.) respondeu: “Eu sei que poderiam fazer isso por mim mas eu odeio ter algum privilégio sobre vós”. Nem ele e nem qualquer membro de sua família jamais fizeram uso de qualquer coisa doada a assistência pública. Ele se sustentava com os ganhos resultantes do trabalho honesto. Para um homem que tornou-se líder de seu povo e de todas as tribos vizinhas que abraçaram o Islam os quais lhe devotavam fidelidade, não seria difícil entronizar-se como imperador, erigir palácios, gozar os anos que lhe restavam na mais plena suntuosidade e conforto, contudo, Mohammad (S.A.A.S.) fechou os olhos para este mundo em absoluta pobreza.

Mesmo antes do início de sua missão, era conhecido por seu povo como alguém de caráter leal. O cognominaram de Al Amin (o Confiável) e jamais levantaram dúvida sobre a veracidade de seu caráter, não há um único relato de seus opositores e perseguidores que mencione alguma atitude indigna, desleal ou cruel de sua parte.

A total ausência de sequer indícios biográficos que pudessem servir para desacredita-lo como Profeta foi sempre um problema para os seus críticos no ocidente; mesmo o argumento largamente propagado quanto a prática da poligamia só foi aceito pelos puritanos cristãos que viam todos os povos, com exceção do povo europeu cristão como povos bárbaros e lascivos. Todavia as mentes esclarecidas logo perceberam a fragilidade dessa argumentação, desde que a poligamia por milênios foi prática dominante na maioria das sociedades antigas e prática comum nas tribos semitas, adotada por vários dos profetas bíblicos. A pecha de imoralidade que tentavam atribuir a Mohammad com esta argumentação deixava transparecer o preconceito que se nutria a um homem contra o qual simplesmente não havia o que se alegar. Para estes estudiosos sinceros só a hipócrita posição dos fanáticos puritanos não via que condenar a poligamia de Mohammad (S.A.A.S.) e do Islam não seria possível sem condenar também a poligamia dos antigos profetas da tradição judaico-cristã.

A partir do séc. XIX, surgiu um número considerável de intelectuais do Ocidente que passaram a estudar o Islam e houve uma revisão das idéias sobre O Profeta e a fé islâmica. Estes homens perceberam o que de falho e injusto havia nos preconceitos seculares alimentados no mundo ocidental em relação a ele. Muitos questionaram: Porque este homem conduziu sua vida de modo simples, limitando-se a pouco alimento e posses em nome de sua fé? Porque deu direitos aos grupos oprimidos da sociedade, como as mulheres e os cativos? Porque arriscou sua vida em nome deles? Também analisaram de modo imparcial a revolução no pensamento humano que este homem havia promovido e os efeitos duradouros e efetivos disso na história da humanidade. Bernard Shaw, filósofo inglês, escreve em seu “Islam Genuíno”: “Sempre respeitei a religião de Mohammad, com alta estima devido à sua extraordinária vitalidade; é a única religião que me parece possuir capacidade assimilativa para a mudança da face da existência e que pode atrair qualquer época. Os eclesiásticos medievais, ou por ignorância ou fanatismo, pintaram o Islam a fé de Mohammad com as mais negras cores. Eles foram de fato instruídos para odiarem tanto Mohammad como homem, como a sua religião. Para eles, Mohammad era o anti-cristo. Eu estudei esse homem extraordinário e, em minha opinião, longe de ser um anti-cristo, ele deve ser chamado O Salvador da Humanidade. Eu acredito que se um homem como ele assumisse o poder do mundo moderno teria sucesso em resolver os problemas de um mundo que teria a tão ambicionada paz e felicidade. Eu profetizei acerca da fé de Mohammad, que será aceitável para a Europa de amanhã, como está sendo iniciada a sua aceitação na Europa de hoje.”

Com essa opinião, resta-nos recordar que um homem do deserto, há 1400 anos, sozinho, deu início a essa revolução, o que por si só é um fato extraordinário sem paralelos na história humana.

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